domingo, 5 de abril de 2015

Quando você chegar aqui



Oi, filho(a), tudo bem?

Desculpa essa indefinição, é que, neste momento da minha vida, você ainda é um plano um pouco distante. Mas calma, você vai existir! E por ter essa certeza resolvi fazer esse texto. Daqui uns dias estou fazendo trinta anos, e por muito tempo pensei que deveria falar algumas palavras a mim mesmo nesse momento. Nos últimos dias isso mudou. Percebi que falar algo para mim não teria tanto sentido quanto falar algo para você, que atualmente é a minha melhor perspectiva do futuro.

Não sei se você vai ler isso ou quando vai ler, assim como não sei se estarei ao seu lado ou se minha memória vai permitir que eu lembre com precisão dos detalhes. Por isso, nada melhor do que registrar em algum lugar. E, talvez você já saiba, nada me faz tão bem quanto escrever...

Por muito tempo eu tive medo dessa idade, sabe? Mas chegando aqui tenho tanta coisa a falar. Inclusive já peço perdão a você e a quem estiver lendo pela confusão de ideias que vai vir a seguir.
Começo comemorando meu entusiasmo com a data. É uma ótima notícia, pois sempre achei que ao chegar aqui seria saudosista, a ponto de escrever um adeus aos vinte anos. Que nada! Estou muito feliz por ter vivido esse tempo que passou, mas mais feliz por estar diante de uma nova fase.

Diante disso, minha primeira dica é simples: Saudosismo é besteira! Sublinhe isso, pois é importante. Ao longo dos anos fui percebendo que por mais que eu sentisse saudade do passado e temesse a incerteza do futuro, o que eu realmente tinha era o presente. É só ele que existe, é só nele que você pode acontecer.  O resto é abstrato. Se você lamentar o que passou ou ficar pensando demais no que vai vir, você vai perder tempo, e não existe desperdício maior.

Use o tempo a seu favor! Acredite, eu já perdi muito tempo pensando, e os melhores momentos da minha vida até aqui aconteceram quando eu resolvi agir. Ei, vai com calma, não disse que você não deve pensar! Não sei como é a sua geração, mas a minha é muito apressada (a interpretação de texto não é o forte dos jovens de agora). Reflita sobre o mundo, isso é bom, só não deixe que a reflexão afete o resultado mais importante dela: a vivência. Um segundo é um segundo para todos os seres que habitam esse universo, mas algumas criaturas sabem tornar um segundo algo inesquecível. É um dom. E algo que só depende de você.

Falando nisso, em “só depender de você”. Eu tinha a triste mania de culpar pessoas e achar desculpas para meus erros e a minha solidão. Quando percebi que eu era o maior culpado da maioria dos meus problemas e ao mesmo tempo a maior solução, uau, eu vi a mágica acontecer.  Baseado nisso, nos últimos anos eu fiz muitas coisas, mas destaco o principal: amigos e viagens.

Amigos tornam sua vida mais agradável. Demorei para admitir isso. Não que eu não tivesse amigos antes, mas eu simplesmente não me entregava às amizades como eu deveria. E fui descobrindo que existem várias formas de amizades. Existem amigos que vão te acompanhar para sempre, que mesmo distante sempre vão ter algo a dizer. Guarde-os como o maior tesouro da sua vida. Existem aqueles que te fazem rir, outros que te acompanham em momentos mais triviais. Tem aqueles que participam de momentos importantes, mas somem com o tempo. Faz parte, fique feliz de saber que viveu algo com eles.

Sobre viajar, só tenho boas notícias. Nesses últimos anos conheci mais de dez países, e isso vai muito além de poses em monumentos famosos, viu? Ao viajar conheci mais de mim mesmo e aprendi muito sobre pessoas. Por mais que elas pareçam iguais, há muito a descobrir sobre cada uma delas. Por mais que os lugares e as culturas sejam diferentes, há algo humano sempre presente que nos aproxima. Perceber isso é sensacional. Foi assim que fiz uma das maiores descobertas de todas: a importância de ter empatia. A pior coisa que existe é julgar e determinar verdade que você desconhece. Entender o outro é um exercício difícil, que atualmente eu tenho dificuldade, mas não desisto de exercer. Você vai ver que a vida só tem sentido quando você faz bem a alguém.

Ah, preciso falar sobre o amor.

 Hoje provavelmente estou com a mulher que será sua mãe (torço que ela me aguente até lá). Mas só cheguei até ela depois que eu aprendi a me amar. Você não vai conseguir passar isso adiante se não souber fazer isso consigo. Por isso já te adianto que você vai sofrer muito por amor, pois provavelmente vai se iludir com um falso conceito de amor idealizado.

Mas certas doses de sofrimento nos fazem crescer.  Todos os “nãos” que levei me serviram como aprendizado e, o melhor de tudo, me levaram à sua possível mãe.  Hoje vejo nela toda felicidade que eu sempre quis e não sabia. Você vai ver, quando a pessoa certa chegar, todo seu conceito de felicidade vai mudar. Vai ficar mais completo e mais real. O amor é aquela coisa que te afasta da realidade, mas só é concreto quando existe dentro dela. Porque você deve entender que um relacionamento é formado por brigas e diferenças também.  Para em seguida descobrir que só a compreensão e o diálogo é que fazem isso funcionar.  Sendo assm, seja sincero e compartilhe tudo sobre você, faça dessa pessoa sua melhor companhia, faça ela amar tudo em você. 

A vida é bonita, filho(a). Existe muita coisa ruim. Existe muita gente má. Mas essa loucura toda não pode ser maior do que a sua vontade de evoluir. Viver é ter esperança, e os melhores seres humanos que conheci superaram as piores dificuldades.  Não é fácil ser bom, por isso é tão bonito.

Você é diversas possibilidades, ei, era mais ou menos esse o slogan da minha faculdade. Não sei se você vai fazer faculdade, mas, se fizer, curta muito esse momento! Não pense que o aprendizado ocorre nos livros. Não! Ele acontece em todos os lugares. Nos corredores, na escapada para o bar, na volta cansativa, no enfadonho trabalho em grupo...

Não vou criar expectativa sobre o que você vai ser. Esse foi um erro muito comum na minha época. Pais que determinavam o que o filho seria assim que ele nascia. Eu só quero que você seja feliz. E felicidade está no lugar que você escolhe estar.  Desde que isso não prejudique ninguém, eu vou apoiar. Saí do colégio sem saber para onde eu ia, demorei alguns anos até definir minha vocação. Hoje trabalho no que gosto, e isso me motiva muito. Não consigo odiar a segunda-feira, pois para mim ela representa a possiblidade de novas criações.

Bom, acho que me empolguei um pouquinho, espero que você não tenha desistido no meio (também torço muito que a sua geração leia mais e que o vocabulário não tenha se transformado em uma série de emotions em sequência).

Só quero deixar claro que fazer trinta anos é melhor do que eu pensava! É um momento de transição, onde aos poucos você percebe que aprendeu muito sobre a vida ao mesmo tempo em que está ciente de que há muito mais a aprender. Talvez isso seja o que chamam de maturidade. Não sei, estou no começo desse processo. Por fim, me permita a última dica: Esqueça sua idade, a vida é muito mais interessante quando é medida por experiências. 

sábado, 15 de março de 2014

Peru - parte 10: Último dia.



Foi triste me despedir de Arequipa com o gosto de quero mais. Fiquei poucas horas na cidade e vi tudo muito por cima, mas o suficiente pra me lembrar até hoje com carinho. A cidade tem umas das Praças de Armas mais bonitas do país – das que vi só perde pra Cusco, em minha opinião.

Mais uma vez a Cruz del Sur me surpreendeu pela qualidade do serviço. O ônibus era ainda mais confortável que o anterior, desta vez equipado com um tablet que tinha opções de música, filmes e jogos. Claro que o meu foi o único que não funcionou, mas sinceramente nem dei bola porque queria dormir. Eu não me lembro o que jantei, mas lembro que estava muito bom. E que pedi Inca Cola. Uau, acabo de sentir o gosto da bebida no meu pensamento.

Viagem tranquila, chegada pontual em Cusco. O terminal próprio de desembarque da companhia era impressionante. Lá esperei a minha carona e fui para o hostel que já considerava minha casa.

Era o último dia e eu tinha um misto de felicidade e tristeza. Feliz por ter conseguido fazer tudo que tinha proposto a fazer, seguir meus roteiros sem contratempo e ter sorte em todos os destinos, fora Lima. Feliz também por voltar pra casa, pois viajar é muito bom, mas ter um lugar para voltar e dividir tudo que viveu é ainda mais. A tristeza existia porque todo fim de uma grande história carrega um pouco disso. Saber que eu não veria Cusco por um longo tempo, talvez nunca mais, me deixava triste. Aquele lugar é mágico, tem algo muito especial ali que sinceramente acho difícil explicar com certa lógica. Sempre me falaram “só quando você for você vai entender” e é exatamente o que eu digo pra vocês.

Aproveitei o último dia para me despedir da cidade com calma. Eu juro que dei umas 3 voltas nela. Primeiro fui ao Museo Inka, o mais famoso de todos de lá. Achei legal e recomendo a visita, ir lá é meio obrigatório para quem realmente curte a história dos Incas.  Porém, depois de tantas explicações, tantas trocas de experiências com guias e habitantes, ir lá no final da trip ficou meio sem graça. Mas claro, saliento que vale muito a experiência.

Deixei o último dia pra fazer algumas compras. Não lembro se falei da lojinha que tem próximo ao Hatunrumiyoc, mas volto a falar. Ali achei tudo BEM mais barato. Um concorrente riu quando falei o preço que paguei por um artesanato lá. E juro, dei 3 voltas na cidade. Sim, 3 voltas na altitude. A parte central de Cusco eu fazia em uns 20 ou 30 min, mas o cansaço era de uma caminhada de 1 hora ou mais. Existem vários centros de artesanatos na cidade, cooperativas onde você tem muitas opções. Nenhum lugar bateu os preços daquela loja. 

Depois de ter a certeza de que fiz tudo que queria fazer, andei por Cusco sem pressa, observando o movimento das pessoas, turistas e moradores locais. O fim de tarde foi lento e até meio poético. À noite eu voltei pra praça, tentei pegar tudo de bom que vivi naqueles dias e trazer pra lá.
Por fim, posto esse vídeo sensacional que traduz MUITO a experiência que vivi. Uma aventura que despertou o melhor de mim. Sem luxos, sem certezas.

Assim como o cara do vídeo, quero voltar pra lá um dia, levando na bagagem todas as boas lembranças que compartilhei por aqui.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Peru - parte 9 : Condores e Arequipa



A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul e um dos mais incríveis também. Fiquei só um dia lá e isso foi suficiente para querer voltar e explorar as outras opções que o país oferece, como o deserto de sal, La Paz, Potosí  e etc.  

Ao voltar pra Puno, encarei a parte mais chata da viagem: esperar 4 horas pelo ônibus que me levaria para Arequipa. Foi um teste de paciência e resistência. A rodoviária de Puno não tinha quase nada pra ver e as várias companhias de ônibus ficam disputando clientes aos gritos o tempo inteiro.  Um senhor ficava gritando o tempo todo “Arequipa, Arequipa, Arequipáááááááá”. No começo era divertido, mas depois eu confesso que já queria dar uma voadora nele. Foram 4 horas ouvindo gritos e olhando para o relógio. Tentei me distrair lendo um livro que eu já tinha lido 3 vezes. Ouvir música não rola quando eu estou esperando algo. Dei umas 10 voltas entre as lojinhas de artesanato e bares. 

E nada do tempo passar.

Quatro longas e tediosas horas depois eu fui para o ônibus. Meu primeiro Cruz del Sur. É impressionante como eles são cuidadosos. Você é revistado antes de entrar e um cara passa gravando rosto a rosto dos passageiros antes do ônibus partir. Os bancos são muito confortáveis e o serviço de bordo bate de longe muito avião que peguei na vida.

A viagem era longa, se não me engano 8 ou 9 horas. Foram 4 filmes em espanhol. Fiquei orgulhoso de ver o primeiro sem problema. O segundo também. No terceiro eu já tava cansado, mas ainda tentei acompanhar. Era um filme com o Rodrigo Santoro, “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”. Sinceramente achei bem ruim, pois é aquele filme com mil histórias paralelas, sabe? 

Porém, foi esse filme que deu o ânimo que eu estava precisando.

Viajar sozinho é incrível, mas chega uma hora que cansa. Você tem que ter o dobro de disposição, o dobro de cuidado e o dobro de paciência. Eu confesso que já estava contando os dias para voltar, ao mesmo tempo que eu me culpava por isso, pois era a viagem da minha vida!

No fim deste filme ruim tocou a música “Home”, do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, que foi um remédio para o meu desânimo. Foram 4 horas de Copacabana a Puno, 4h de espera na rodoviária e mais 9h de Puno a Arequipa. Acho que eu tinha o direito de estar de saco cheio, né?

Eu só queria chegar em Arequipa, tomar banho e dormir. Mas quando chego lá tenho uma grata surpresa: era aniversário da cidade. A moça que me recepcionou era muito simpática e não parava de falar que eu tinha chegado bem na hora da festa. Demorou muito para acharmos um taxista disposto a nos levar ao centro, onde ficava meu hostel e onde estava sendo realizada a festa da cidade.

Eram muitas pessoas na rua e eu até tive vontade de participar, mas meu corpo estava acabado. Tomei banho e acompanhei um pouco da comemoração da varanda, conversei com alguns hóspedes do hostel e fui dormir, pois 7h eu tinha que estar de pé para ir para os Cânions.

Rumo aos Cânions

Mais um dia de viagem. Agora seriam 4 horas de Arequipa para Chivay. Um novo grupo, um novo guia, uma nova subida. Seria o ponto mais alto da viagem, por isso o guia recomendou comprar folhas de coca pra mastigar. Até então não tinha sentido a altitude, mas não quis arriscar. Além disso, queria mastigar a folha de coca para ter a experiência.

Vou admitir que não é nada agradável. O gosto é ruim e a boca fica formigando. Mas é uma coisa diferente, né?

O grupo que estava viajando comigo era o mais legal até então. Animados italianos, simpáticos venezuelanos, franceses que não tinham cara de bunda e duas brasileiras muito legais. O guia também era muito parceiro e tinha um conhecimento invejável. Pela primeira vez vi neve de perto nesta viagem e a paisagem repetia a beleza natural de outros lugares. Só que agora tinha vulcões!

Na estrada cruzamos uma reserva ecológica, onde Vicunhas, Alpacas e Lhamas vivem livremente. Às vezes cruzam a estrada, dando um susto nos turistas, seguido de um inevitável “óóóó”. Há algumas paradas para ver os animais e sentir o ponto mais alto da região. Mais uma vez a altitude não me atingiu.

Chivay é um vilarejo bem pobre, situado num vale entre as montanhas. Além de ficar perto dos cânions ele fica próximo a uma fonte de águas termais. Eu não tinha roupa de banho e não quis comprar pra ir às águas. Mas o guia deixou eu ir até o lugar e não me arrependi de ter ido.

Achei um canto onde eu pude sentar, sentir o ar frio das montanhas e ficar ali observando. Durante uma hora eu meditei. Eu senti algo diferente na vida, uma força que nunca me permiti olhar com calma: a força da natureza. Sério, parece papo de louco, mas eu curti muito aquele momento, aquela paz. Ficar ali vendo o sol se por.

Depois o guia e eu observávamos (e riamos) o pessoal voltar morrendo de frio e sem fôlego – por incrível que pareça os europeus optaram pela piscina mais barata que ficava escadaria abaixo. Voltaram sem ar de lá. Francamente, os caras ganham em EURO e por 5 soles passaram por isso...

De noite fomos a um restaurante simples que oferecia um show com música folclórica. Bem legal, mas bem aquelas coisas feitas para turistas que acabam me incomodando por não serem naturais.

O frio castigava e o hostel que eu fiquei era longe de tudo. O vilarejo não tinha nada, só uma praça onde até rolava uma comemoração, mas não valia o esforço.

No outro dia era dia de ver os condores.

Dia inesquecível

A ida para o Cânion del Colca tem várias paradas. Primeiro você para em um vilarejo chamado Yanque. Ali uma cena triste, às 6h crianças fazendo uma dança folclórica numa praça para turista tirar foto e dar contribuições. Achei uma puta exploração dos coitados. Ali vale a vista pra um vulcão que esqueci o nome e é bom pra comprar água e algum artesanato – não é caro e eles negociam bem. 

Depois paramos mais em um vilarejo, sem muito motivo. Nessas paradas sempre tem algum nativo com um falcão, uma lhama ou uma alpaca. Eu queria muito tirar foto, mas não sabia quanto que tinha que pagar. Não tem preço. Você tira foto e paga quanto quiser. Depois paramos em um mirante, com uma paisagem fantástica. Lá tinha duas nativas com uma alpaca e um falcão. Tirei foto com cada um e paguei um soles por cada foto. Valeu a pena!

O dia estava ensolarado, não muito frio. Os condores são a grande atração do belo cânion, mas nem sempre aparecem. É preciso ter sorte. Naquele dia eu estava. Vi oito! Alguns passaram muito perto de mim. A dança dos condores no ar é uma daquelas cenas que vai ficar eternamente na minha mente.

Agora é a hora da polêmica. Achei o cânion mais legal que Machu Picchu. Não se revolte. Machu Picchu é místico, é  impressionante, é tudo aquilo que falam. Mas o cânion me surpreendeu exatamente por não ter expectativa alguma sobre ele. É um lugar onde a natureza te pede respeito de uma forma intimidadora. Assim como Machu Picchu, existe toda uma aventura para se chegar lá. A diferença é que não há aquele clima de “modinha” entre os visitantes. 90% das pessoas que estão ali são mochileiros de verdade, pessoas que amam viajar, que pesquisaram sobre o país para chegar ali.

Vale muito a visita. Diria que é absurdo ir ao Peru e não ir ao Cânion del Colca.

Arequipa

Uma lenda diz que os incas chegaram ao local onde fica Arequipa e acamparam. Acharam o lugar tão bonito que pediram ao imperador pra ficar ali, que disse “Ari quipay’, que em quéchua significa “sim, fiquem”. Gosto de acreditar nessa história.

A região dos cânions é linda e selvagem. Vi cavalos correndo livre por lá, um inclusive quase foi atropelado depois de cruzar correndo a estrada. Mas os motoristas são bem atentos a isso. E há leis rígidas que punem atropelamento, já que é uma reserva ecológica.

Tive 3 horas pra conhecer Arequipa, a “Cidade Branca”. Ela é conhecida assim porque muitas construções foram feitas com pedras originárias da lava vulcânica. Aliás, a cidade sofreu muito com terremotos e em todo lugar há aviso sobre eles.

Foi uma das cidades que mais curti. Ela é uma Lima melhorada, com belas construções, menos caótica e com um povo MUITO mais simpático. Eu caminhei por duas horas, tirei boas fotos, mas senti que poderia ter explorado mais. Dá pra “perder” um dia lá.

O fim de tarde foi registrado numa foto, mas está bem vivo no meu pensamento. Era o fim da minha aventura entre as cidades do Peru. Eu iria viajar durante a madrugada para Cusco, onde teria mais um dia pra curtir e me despedir da viagem da minha vida.

Estava cansado, mas orgulhoso de mim.

Vicunhas ao fundo
Detalhe de uma igreja da Cidade Branca
Praça de Armas de Arequipa
Fim de tarde de um dia inesquecível
O ponto mais alto da viagem. Literalmente.
Crianças dançando em Yanque. Triste.
Alpacas e nativa
Hora do falcão!
Condores livres!
Tem como não achar esse lugar demais?
A Cruz do Condor!










quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Peru - parte 8 : Copacabana boliviana e Ilha do Sol



Me disseram que a fronteira entre o Peru e a Bolívia era tensa. Não sei se eu tive sorte ou se as coisas mudaram, mas eu não imagino algo mais tranquilo do que passar a linha entre esses dois países.  Aliás, não consigo imaginar nada mais tranquilo e curioso. Pouco antes de chegarmos à Bolívia, entra um índio com um terno “bagaceiro”, cheio de correntes e anéis, dente de ouro e com um cabelo cumprido. Toda vez que ele falava algo, principalmente que envolvia dinheiro, ele segurava o terno e ajeitava, dando um sorriso sacana e uma piscadinha. E eu juro que não estou inventando!  

Esse índio nos explicou os procedimentos da fronteira e eu nunca vi alguém com o inglês mais engraçado. Nem o Joel Santana! "Usted walk to yellow house, not green house” (adicione um sotaque MUITO forte) era a única coisa que ele falava.  Depois de tudo feito ele oferece um hotel em Copacabana por apenas 10 dólares a diária e segue com o sorriso sacana. Depois vi o hotel e até que era bom,  mas agradeci de não depender daquele cara.

Eu tinha uma expectativa quanto ao visual de Copacabana, afinal se chama Copacabana. Fiquei frustrado. Mais uma vez a pobreza dominava o cenário. Dá pra dizer que Copacabana é mais bonita que Puno. Só um pouco mais, pois tem alguns poucos prédios bem acabados e coloridos. Aliás, um fato curioso: me disseram que a falta de acabamento nas construções se explica pela existência de um imposto sobre isso. Não sei se é verdade, mas é muito estranho todas as cidades da região serem assim.

Copacabana é minúscula. Dá pra dar a volta na cidade em uma hora. E seria menos se não fosse o efeito da altitude. Lá tem uma igreja gigante, onde os carros são batizados – sim, os carros. Com sorte você acompanha uma dessas cerimônias.

O resto da cidade é composto por casas de câmbio, agências de turismo, restaurantes legais e lojas. Aí vai minha grande dica. Anote isso: deixe pra comprar coisas na Bolívia. É MUITO mais barato que o Peru. Muito mais mesmo!   Com 20 dólares eu fui num bom restaurante e comprei alguns artesanatos legais e sobrou.

Os bolivianos são simples e alegres. Se você falar que é brasileiro, provavelmente eles vão te adorar e te encher de perguntas sobre futebol. Foi o que aconteceu comigo.  

A única ressalva que faço é: tome cuidado com os pacotes de turismo que você compra. O que comprei pra Ilha do Sol, por exemplo. No meio do percurso eles avisam que tem uma taxa a mais do que a  taxa já existente pra entrar na ilha. Seria uma taxa pra dar a volta na ilha com um guia. Sem isso, seu rolê pelo lugar é bem limitado. Você até pode tentar ir longe, mas é muito difícil, pois enfrenta uma subida cansativa por causa da altitude.

É engraçado você morrendo e as crianças passando correndo com as mochilas dos turistas nas costas, 
como se não fosse nada.  Se duvidar eles ainda dão risada!

A Ilha do Sol é sagrada. Segundo a lenda, foi ali que surgiu o primeiro Inca e de lá ele conduziu o povo a Cusco para montar o império. O lugar é fantástico, não tem como negar. Só achei muito parecido com o que vi antes em Puno. Vale por esse aspecto histórico, por dar uma passada na Bolívia e vale mais ainda se você optar por dormir na Ilha, que tem uma boa estrutura pra isso. Mas com certeza se pudesse refazer a viagem, eu cortaria Puno ou Copacabana por serem muito semelhantes.Copacabana leva vantagem pelos preços das coisas e por ter o lance dos preços mais baixos.

Como disse anteriormente, fiz amizade com um casal de brasileiros. Os dois foram comigo na ilha e na volta resolvemos curtir a cidade. Não tinha muita coisa pra fazer, mas muitas lojas de artesanato pra entrar e vários restaurantes pra escolher. Não vi nada de balada por lá, mas bem mais mochileiros jovens do que vi em Puno. Numa dessas conheci uma suíça que morava na Argentina e estava fazendo um mochilão por Chile e Bolívia. Ela falava espanhol melhor do que eu.

Optamos por um dos tantos restaurantes mexicanos na cidade e às 22h praticamente todos estabelecimentos comerciais da cidade estavam fechados. A falta de opção e o frio intenso não nos deram outra opção a não ser voltar pro hostel e esperar o dia seguinte.

No outro dia começaria uma viagem de 12 horas e iniciaria o momento mais inesquecível da viagem.

Não tem como não achar bonito...

Montanhas ao fundo

Um templo na Ilha do Sol

O pôr do Sol dando um pouco de beleza ao lugar

Aqui os carros são batizados

Copacabana com mais cores que Puno

Chegando à mística Ilha do Sol