quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um filme sobre liberdade

Ter um blog é uma coisa fantástica. Aqui é um espaço livre, onde eu posso falar o que eu quiser, sem temer censura alguma. E o melhor de tudo isso é que eu posso ser lido! Pode parecer óbvio, mas não é. Se uma pessoa acessa a internet e faz questão de passar por aqui, acredite, eu ganhei o dia.




Na Natureza Selvagem
Hoje decidi de falar de cinema. Não que eu queira concorrer com o brilhante e sempre recomendado blog Filme-Pipoca do meu amigo Caio. Não, não tenho essa pretensão. Gostaria apenas de comentar (e recomendar) um filme sensacional. Diria que é um daqueles filmes que marcam a vida da pessoa e que, no meu caso, pode-se ver mil vezes e mesmo assim surpreender-se. Falo de “A Natureza Selvagem” do polêmico e talentoso ator/diretor Sean Penn. O filme é conta a história real de Christopher McCandless (interpretado de maneira sublime por Emile Hirsch), um jovem inteligente, bonito, de uma família rica e que tem um futuro promissor. No entanto, Christopher resolve abandonar tudo isso. Ele decide descobrir sua existência. Pega todas suas economias e doa para caridade, aliás, em uma cena do filme ele chega a queimar dinheiro – ato que remete a loucura no mundo capitalista. Para não ser perseguido, ele simplesmente abandona seu carro na estrada e adota um novo nome: Alexander Supertramp. Como um nômade percorre os Estados Unidos em busca de novas aventuras e descobertas. Na verdade seu grande sonho é chegar ao Alasca para isolar-se de tudo por um tempo e viver situações extremas. Sua viagem o leva para muitos caminhos e ele acaba se envolvendo com vários tipos de pessoas e marcando suas vidas para sempre. Hippies, fazendeiros, aposentados... Todos ficam encantados com aquele jovem corajoso e determinado.
A narração do filme é poética, lembrando muitas mensagens deixadas pelo personagem principal. Seus pensamentos são expostos na tentativa de explicar sua atitude que parece incompreensível para as pessoas “normais”. Destaco também a fotografia do filme. É perfeita. Paisagens diversificadas compõe um cenário de tirar o fôlego para os amantes da natureza. Outro ponto forte é a trilha sonora composta por Eddie Vedder (Pearl Jam). Simplesmente perfeita. É de impressionar que não “Na Natureza Selvagem” não tenha recebido muita atenção do Oscar (apesar de ter recebido duas indicações, o que considero pouco).

A felicidade só é real se for compartilhada

“Na Natureza Selvagem” mexeu comigo. E diria que isso aconteceu antes mesmo que eu assistisse ao filme. Quando vi o cartaz bateu aquele sentimento “esse é o filme”. É um cartaz muito bem feito, que mostra Chris sentado sobre um ônibus, mas ninguém sabe dizer se este esta em movimento ou não. Sei lá, tive uma boa impressão ao ver aquilo. Resumiu muito bem a intenção do filme, o seu significado, pelo menos pra mim.
Desde de então, assistir ao filme virou uma obsessão. Só que uma obsessão cautelosa. Tinha medo de me decepcionar. Até que minha amiga Márcia me disse que o personagem era muito parecido comigo. Foi a motivação que eu precisava. Logo no começo do filme minha namorada fez o mesmo comentário – o que consideraria um elogio.
O fato é que Alexander Supertramp ou Christopher McCandless se transformou em um herói pra mim. Não que eu queira fugir e abandonar tudo. Nada disso. Só que o cara nos trouxe uma bela reflexão sobre a nossa existência. Não precisamos nos apegar a dinheiro ou a bens materiais. Isso nos escraviza. Nos faz esquecer do mundo intenso que nos rodeia. Precisamos buscar respostas para nossas perguntas ou então enlouqueceremos com o estresse cotidiano - como já acontece por aí. Louco ele? Acho que não, ele teve coragem de encarar a realidade e de desafia-la. Não é fácil largar tudo em busca de sonhos. Ele fez sem exitar. Provou todo o sabor de ser livre. Viveu em dois anos mais do que muitos vivem a vida inteira. Foi louco sim. Assim como todos aqueles que mudaram o mundo sem antes serem contestados. Um admirável e carismático personagem que no final conclui que “a felicidade só é real se for compartilhada”. Essa, meus amigos, é uma das frases mais bonitas que vi na vida.
Ta tocando no iPod: Hard Sun - Eddie Vedder

2 comentários:

  1. Grande filme, e o que você disse sobre ele é mais completo emocionalmente do que eu jamais conseguiria. Acho que é um texto apaixonado, delicioso de ler esse seu. Parabéns e obrigado pelo elogio!

    Mas enfim, falando sobre o filme, gostei muito também, acho Sean Penn um diretor muito equilibrado e conciso, Emile Hirsch é uma promessa para o futuro, e os coadjuvante são um show a parte. Mas gosto muito da frase inicial do filme: "Não que ame menos os homens, mas amo muito mais a natureza". Acho que sintetiza com perfeiçãr essa personalidade explosiva e cativante do protagonista. De fato, o final me deixou maravilhado. Excelente dica a sua!

    Abraço

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