segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Máquina das Sensações

Dizem que a civilização nasceu quando o homem passou a dominar o fogo. A partir desse feito, a nossa espécie começou a entender como funcionavam tudo ao seu redor. Então, o homem evoluiu, percebeu que era uma espécie com menos limitações do que as demais. Raciocinava, tinha polegares opositores e podia andar com apenas duas patas. Ao ver quem era, passou a dominar o mundo.
Aprendemos a caçar, a plantar, a escrever. Dominamos o mar, o ar, a terra, o espaço. Construímos cidades, metrópoles, megalópoles. Descobrimos a matemática e dela nasceram tecnologias que facilitaram ainda mais nossa vida. O mundo parecia pequeno demais para nossa ambição, mas então percebemos que havia uma coisa que não podíamos vencer, algo impossível de domar: o tempo.
O tempo, ah o tempo! Ele é incontrolável, sem dúvida o bem mais precioso da vida. Do tempo, ou da falta dele, é que nascem os sentimentos, as relações, a história... Tudo, tudo mesmo, depende do tempo.
Quando Eistein apresentou a Teoria da Relatividade surgiu uma esperança inusitada: talvez pudéssemos voltar ou avançar no tempo. Se isso fosse possível, o tempo seria finalmente controlado, bastando apenas a morte para nos tornarmos deuses. Desde então sonhamos com a máquina do tempo. Claro que nem todos tem a pretensão de dominar o tempo como forma de poder, a maioria das pessoas esboça um desejo quase ingênuo de querer voltar à épocas inesquecíveis, que nunca irão voltar, a não ser que exista um jeito de se viajar no tempo. Penso diferente, acho que uma máquina do tempo seria decepcionante neste sentido. Primeiro porque, conforme o De Volta Para o Futuro, nunca poderíamos encontrar com nós mesmos sem ter a certeza que isso causasse um impacto no tempo e espaço. Sendo assim, só poderíamos observar tudo de longe, escondidos. Em segundo lugar, assistiríamos uma cena que já aconteceu, mas quem garante que sentiríamos a mesma coisa? Talvez, devido a nossa experiência, uma cena que ficou gravada (e dramatizada) na nossa memória fosse a coisa mais sem graça do mundo perante aos nossos olhos. A máquina do tempo devolveria o momento, mas não a sensação.
Por isso, não desejo uma Máquina do Tempo e sim uma Máquina de Sensações, algo que nos devolva sensações perdidas em momentos marcantes. Seria uma Máquina que nos faria dormir, nos induzindo sonhos propositais. Essa Máquina “escavaria’ nosso cérebro, procurando nossas lembranças perdidas e especiais (até porque tem coisa que tem que ser esquecida). Poderíamos viver uma situação passada, mas viveríamos como crianças, com as mesmas sensações que tivemos na época. Seria como voltar no tempo, mas através da memória.
Após essa viagem, sairíamos satisfeitos, com a doce sensação de nostalgia fresca.
Isso é possível de acontecer? Sei lá... Só sonho e sonhar é algo que não custa nada e vale a pena.

Um comentário:

  1. U.A.U!
    Sabe que eu nunca tinha pensado dessa forma? Com certeza essa é uma reflexão muito prudente. Seria muito bom ter uma máquina das sensações.
    Acho que todo mundo precisaria de uma, sabe. Todo mundo precisa relembrar algum momento. Essas lembranças fazem bem... Eu acho...

    Beijo

    ps: sempre que eu lembro, o que não é muito frequente, coloco a música que estou ouvindo, ou que me inspirou... Tentarei lembrar mais vezes! ;)

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