segunda-feira, 3 de maio de 2010

O rock acabou?



“Enquanto você se produz
Eu vejo o que não vê
Crescer para que?
Ser e esquecer
Eu corro contra a luz
Eu fujo sem entender
Vencer para que?
Ser e esquecer
O rock acabou melhor, melhor ligar sua TV
Ela nunca está, ela nunca vai entender”


O Ministério dos Blogs adverte: Este texto foi feito para quem detesta as músicas superficiais que invadem as rádios e iPods por ai.


Estes são os versos da música que dá o título do primeiro álbum da quase desconhecida banda de indie Rock Moptop. Uma banda que surgiu promissora, mas que, provavelmente, você pouco ou nunca ouviu falar, porque o espaço que ela deveria ter é “tomado” por bandas emos.
Parece ironia, mas no fim dos anos 90, a banda Raimundos pedia um espaço maior pro rock na programação das rádios com a música “A Mais Pedida”. De forma debochada eles reclamavam que os pagodeiros tinham muito mais mídia e atenção do que os roqueiros. O protesto deu certo. O início dos anos 2000 foi marcado pela volta de bandas antigas (Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e etc) e pelo surgimento de bandas com potencial – quem não lembra do mundo aclamando os Strokes como a “salvação do rock”. Parecia que o rock finalmente voltaria à cena. No entanto, logo os anos 2000 mostrariam sua principal característica: a superficialidade.
Agora peço que você, caro leitor, faça um exercício de memória. Tente lembrar como era a vida antes da Internet fácil (quando falo Internet fácil, me refiro a Internet banda larga, que se popularizou, mais ou menos, entre 2003 ou 2004). Antes desta revolução digital, conseguir informações era muito mais complicado. Se você quisesse uma ouvir a sua música preferida quando quisesse (sem depender de rádios), você tinha três opções: Baixar ela através da net discada, que só podia ser usada (sem custos) no final de semana e era lenta; gravar em uma “fita” do rádio; ou ter vergonha na cara e comprar o CD. Era isso e não mais que isso. Talvez eu possa incluir uma quarta, que era pedir a um colega mais afortunado, que tivesse banda larga e um gravador de CD, que gentilmente (ou comercialmente) lhe gravasse um CD com suas músicas preferidas. Mas este colega era raro ou, quando existia, era um idiota que demorava mais que a Internet discada e ainda te cobrava caro.
Bom, com esse exercício de memória, quero enfatizar que ouvir música não era fácil como é hoje. Dependia de muitos fatores e mesmo assim era mais fácil do que décadas atrás, onde os dinossauros andavam sobre a Terra, onde as lendas do Rock VIVIAM o Rock. A música era RARA, preciosa demais para ser ruim ou feita de qualquer jeito. É claro que havia empresários e estes comandavam muitas bandas. Até hoje dizem que os Sex Pistols foram uma farsa. Mesmo assim, era uma farsa com mais vida ou pelo menos mais bem feita. Hoje estamos em um caminho perigoso, onde um “artista” canta o que o público quer ouvir.
O rock é uma das maiores vítimas. O rock’n roll que surgiu como algo dançante, foi popularizado com o requebrado do Elvis, imortalizou na guitarra de Hendrix, foi o hino de paz e amor dos anos 60, ganhou inúmeras vertentes e deu origem a estilos completamente diferentes, como o Hip Hop, por exemplo. Este rock está doente, carente de novos ídolos.
Tudo bem que o estilo emo seja considerado rock. É válido, afinal, o estilo é democrático, já reconheceu a paternidade de vertentes tão diferentes entre si. Minha indignação é com a “dominação” dos emos. Com a apropriação que fizeram do nome “rock”. Minha indignação é com garotas histéricas, que não vão para um show para CURTIR a música e sim pra gritar pelo vocalista. Ok, isso ocorria com os Beatles você vai pensar, mas era diferente, aquilo não era a base do sucesso deles. O sucesso deles era baseado no talento que tinham, tanto que até hoje são reconhecidos, mesmo sem nenhuma garota histérica para gritar.
O rock está se matando através do espaço que adquiriu, aquele espaço exigido pelos Raimundos há 10 anos atrás. Hoje o rock não é raro, é acessado em qualquer lugar e feito de qualquer jeito. Aquele rock star cheio de atitude e originalidade deu espaço à bandas que preocupadas com a opinião pública e com o seu corte de cabelo. Mesmo assim, ainda acho que o rock não acabou, mas precisa de cuidados. Cuidados urgentes.
Mais sobre o assunto? Clique aqui e viaje nos pensamentos da Lari, do de Férias, blog! Ela também é uma saudosista do bom e velho Rock'n Roll
Som do Camaleão: O Rock Acabou - Moptop

7 comentários:

  1. Esse seu post foi inspirado pela nossa mini-conversa pelo twitter ontem? Coincidência de assuntos nas nossas postagens de hoje. Vou até lá editar e colocar o link pra essa sua postagem de cá!
    Assino em baixo, e vice-e-versa, hahahaha! ;DD

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  2. Cara, posso confessar? Não sou exatamente o maior fã de rock clássico, mas como apreciador de música, do pouco que ouvi, reconheço que os caras sim que sabiam fazer rock n' roll. Não vou dizer que as bandas que "usam guitarras" hoje são todas ruins, mas estão numa vibe diferente e, talvez por isso, precisem de uma denominação própria ("emo", pós-punk, "surf", algo assim).

    Você falou do Moptop, que é uma banda da qual eu curto muito o segundo CD, o "Como se Comportar", que vivo ouvindo pra relaxar. Acho que eles são das poucas bandas brasileiras que fazem um som de qualidade, hoje. De fato mereciam muito mais espaço do que têm.

    O que domina a parada hoje é pop, electronica e hip hop. Gosto de Lady Gaga e Black Eyed Peas, nada contra alguns outros que estão no topo por aí, mas também tem muita coisa ruim entrando no páreo, e muita coisa boa ficando para trás. O fato é que na era do consumo rápido, música pensada e trabalhada parece ser artigo raro entre as paradas.

    Essa é talvez a diferença do rock n' roll daqueles tempos e do de hoje (ou da ausência dele). Naquela época, quem mandava era o groove, o show, o punch, a vontade de prender a plateia era mesmo na raça. Hoje, é na base da beleza. Como você bem disse aí, nada contra a música "emo". O que irrita mesmo é a forma como essas bandas são adoradas pela aparência, não pelo som. Porque muitas delas não se sustentam como artistas. A maioria, diga-se de passagem.

    Certo? Escrevi demais, eu acho. rs.
    Abraço! :D

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  3. Engraçado que eu sou "novinha" e sinto "saudade" dessa época que nem vivi. Tenho até preconceito com essas bandinhas de rádio.
    Outro dia quase briguei com uma amiga que veio me dizer que Beatles não era legal e era coisa de velho! ¬¬

    Tô indo lá pro da Lari, agora. :P

    Beijo

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  4. gostei do post, do blog e do seu jeito de escrever =)
    e vc tem razão... o mundo não é mais o mesmo, nem a música.
    bjs

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  5. Oii! Achei seu blog no blog da Lari ;p
    Ah, escrevi mais sobre o Peru..
    bjs

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  6. Olha, eu tenho problemas pessoais com críticas ao presente com sabor de saudosismo. Tenho a impressão de que toda geração faz isso. Parece que toda geração quis ser a última que prestou.
    Acho que o Rock continuará sendo o que sempre foi, na verdade. Em todos os estilos as coisas boas não são tão comuns assim.

    Sobre Six Feet Under, ela já é pertencente a um canal aberto: o temível SBT. Passa em madrugadas aleatórias.
    E bem, eu nunca vi heroes porque dizem que é uma série que se perde demais de um tempo, deu medo. Sobre o mesmo tema que você citou (nocividade dos super poderes), há uma outra serie bacaninha, e dessa eu posso falar porque vi inteira: chama The 4400. É uma série sci-fi que une alienígenas e poderes, mas juro que ela não é tosca e até bem costurada. E os poderes são BEM inventivos. Já é cancelada, acho que parou em 2008.

    Mas enfim, se for correr atrás de alguma série, Six Feet Under deve ser o seu top of mind hehe

    Abraço!

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  7. Obs: Valeuzão pela publicidade e pelo "escreve bem, polêmico e engraçado" no seu último post! haha

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