sexta-feira, 11 de junho de 2010

Distâncias

- Cite algo muito distante pra você.
- Plutão. Plutão é bem distante, aquele quase-planeta ridículo.
- Hmm. Então você considera Marte algo próximo?
- Bem capaz, aquela coisa vermelha, sem vida. Quero distância!
- Ok. Vamos ficar neste planeta então. O que é distante pra você?
- Os continentes.
- Como assim?
- Tenho pavor da Ásia, pena da África, nojo da Europa, odeio a América do Norte e ignoro a América Central.
- E a Oceania?
- Ahh é a Oceania. Ela é tão distante que nem lembrei.
- Isso quer dizer que você considera a Argentina próxima?
- Tá louco? Eu tenho pavor desses hermanos metidos a besta.
- Tem algum país da América do Sul que você considera próximo?
- Nenhum. O Uruguai só tem pasto, o Chile só tem montanha, a Bolívia só tem índio...
- Ok, ok. Já entendi. Você é um brasileiro orgulhoso.
- Eu? Bem capaz! Amo meu Estado e só. Por mim fazia dele um país, os outros só nos menosprezam.
- Mas em um país tão grande...
- Esse é o problema, grande demais, muitas distâncias.
- Então pelo menos você ama seu Estado, as cidades pelo visto tem proximidade.
- Capaz... É cada um no seu canto. O pessoal do Interior tem inveja da capital. Só porque temos mais shoppings.
- Ah, relevante. Creio que você também tenha algo contra o pessoal do Interior.
- Tipo, eles são do Interior, pra mim isso já é motivo para eu querer distância
- Então, pelo visto, você é apegado à sua cidade.
- Depende do bairro.
- ...
- Gosto dos bairros da Zona Sul. Os da Zona Oeste são metidos, os da Zona Leste são ladrões e os da Zona Norte eu nem conheço, fica longe.
- Caso parecido com a Oceania.
- Exatamente, você é esperto.
- Fale sobre os bairros da Zona Sul, são próximos pelo visto.
- Sendo sincero com você, só curto o meu. Os outros são sinistros, tem uma certa rivalidade. O meu é o único que tem Mc’Donald’s.
- Relevante...
- E olha lá hein. No meu bairro tem umas ruas que eu nem entro, não curto muito.
- Deixa eu ver, na sua rua existem prédios, onde você provavelmente tem rixa com alguns.
- Cara! Você tá entendendo.
- Sim, sim... Continue.
- Pois é, meus amigos, meus melhores amigos, moram no meu prédio.
- Então você tem amigos, fale deles.
- Olha, eu curto mais os que torcem pro meu time. Os que torcem por outros eu já tenho um pé atrás.
- Então você escolhe os amigos pelo time que eles torcem?
- É, sendo que tem uns que curtem umas paradas sertanejas, falo menos com esses.
- Entendo. E sua família.
- Bah, não me dou bem com uns tios, primos e falo as vezes com meus avós. Pra mim, família é pai, mãe e irmão.
- Pelo menos com eles a relação é de proximidade?
- Minha mãe me xinga muito, meu pai exige muito e meu irmão incomoda muito. Ando meio distante deles.
- O que é mesmo distante pra você?
- Plutão cara, Plutão!


Moral do texto esquisito: A distância é medida pela nossa capacidade de estabelecer conexões.

Obs.:
Férias, finalmente férias. Tempo pra refletir, arrumar a vida, se divertir...enfim, tempo para não estar na frente do computador. Não me abandonem, comentem e serão recompensados!

3 comentários:

  1. É, isso rende uma boa reflexão.
    A gente reclama das atitudes dos outros, mas não para pra pensar que nós que as provocamos, né?
    É aquela coisa da gente ter a faca e o queijo na mão mas não saber usar, ou dar desculpas para não usar...

    Beijo

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  2. Adorei o texto! ri muito aqui e de quebra ainda ganhei uma reflexão ;p

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  3. Divertido e interessante.
    Acho gostoso quando a gente escreve uma coisa assim, num formato diferente. Eu gostei, você gostou?! hahaha!
    Boas férias!

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