sexta-feira, 9 de julho de 2010

Feito para emocionar

Poucas histórias podem ser contadas em três filmes. Algumas são sucesso no primeiro, até no segundo, mas raríssimas chegam com fôlego ao terceiro. Um bom exemplo foi a trilogia do Homem-Aranha. Fenômeno no primeiro, destaque no segundo e ridículo no terceiro. O próprio Shrek fracassou no terceiro, tanto que a Dreamworks tenta finalizar a saga do ogro com honra. O fato é que estúdios e diretores perdem o rumo em continuações, pois, na maioria das vezes, o seu objetivo passa a ser o lucro. Toy Story parece ter seguido um caminho diferente. Não que os seus produtores não quisessem lucrar, mas pelo menos não foram afoitos e souberam esperar, 11 anos para ser exato. E o resultado não podia ser melhor.

A revolução de 1995
O ano era 1995. Lembro que naquele ano a mania entre a garotada eram os Iô-iôs da Coca-Cola. Bons tempos, ainda jogávamos bola de gude e não passávamos horas na frente do computador, aliás, poucos tinha computador. Professores usavam mimeógrafo e a maioria dos trabalhos eram feitos a mão, talvez na máquina de escrever. Lembro que de uma turma de 34 alunos, apenas um tinha computador. Ele era proibido de fazer os trabalhos digitalmente, seria humilhação demais para os colegas. Imaginem só, nessa realidade de 15 anos atrás era impossível pensar em animação digital. Mas ela aconteceu, Toy Story surgiu e impressionou uma geração, que ficou atônita ao ver brinquedos falantes e humanos digitalizados que tinham expressões quase reais. Ouso dizer que foi muito mais chocante do que Avatar e seu mundo 3D.

Três histórias sobre os brinquedosA ideia de Toy Story é ousada. Brinquedos têm vida, na ausência dos seres humanos podem falar, andar, curtir seus momentos de folga e etc. Um brinquedo feliz é aquele que é usado, bem usado. Brinquedos gostam entrar na imaginação de sua criança, brincar com ela, ser o herói ou o vilão de seus pensamentos. Na primeira histórias somos apresentados aos brinquedos de Andy, uma criança imaginativa que é muito apegada aos seus brinquedos, principalmente ao caubói Woody (tem uma cobra na minha bota!). No entanto as coisas mudam quando Andy ganha o astronauta intergaláctico Buzz Lightyear, o brinquedo do momento, que faz Woody parecer antigo e perder um pouco da atenção de Andy. Bom, suponho que você conheça a história, no fim os rivais se tornam amigos e são felizes. Na segunda história Woody é “seqüestrado” por um colecionador que pretende vendê-lo a um museu japonês. Neste capítulo Woody conhece os outros personagens da sua linha de brinquedos e fica tentado a ficar exposto eternamente, nunca correndo o risco de ser jogado fora ou esquecido por seu dono quando ele crescer. No fim ele decide ficar com Andy, levando Jessie e Bala no Alvo junto com ele. Eis a questão do terceiro filme. Andy cresce e suas prioridades são outras, ele já é grande demais para brincar.

Andy Cresceu (SPOILER, se não viu o filme, não leia)O filme começa com um golpe baixo, no bom sentido. Após 11 anos de espera, uma avalanche de imagens de Andy brincando com os brinquedos na infância provocam uma nostalgia emocionante em quem acompanhou o nascimento da saga. Logo depois a triste realidade, Andy está indo pra faculdade, deve decidir o que será feito com os brinquedos, os poucos que restaram, a pastora, namorada de Woody, já não está mais entre eles, por exemplo. Em um dos diálogos, Andy chama os brinquedos de “tralha”, mas decide levar Woody para a faculdade, e opta por colocar os outros no sótão, deixando claro que ainda nutre laços por eles. Uma grande confusão acontece e os brinquedos acham que Andy estava os colocando no lixo, então decidem ir pra doação e acabam parando em uma creche, onde imaginam que serão cuidados para sempre. São recebido pelo fofo ursinho Lots, que parece ser o melhor anfitrião do mundo, e por Ken, sim o parceiro da Barbie, que tenta provar a todo custo que não é um brinquedo de menina. Logo a creche se revela um lugar perigoso para novos brinquedos, o que vai exigir novamente que nossos heróis Woody e Buzz entrem em ação.
Ok, até ai tudo bem. A história é bem pensada, muito articulado o plano de fuga dos brinquedos, destaque para a atuação do Sr. Cabeça de Batata em sua forma molenga. Nota-se que houve um cuidado com o roteiro, para não ser repetido ou cansativo, tanto que temos um Buzz hispânico que é hilário. No entanto, é o desfecho que vale a pena. Cada centavo gasto no cinema se justifica na cena final, quando Andy decide doar os brinquedos à uma menina sugerida por Woody. É a última vez que Andy vai brincar com eles, a ultima vez que ele terá Woody nas mãos, tanto que hesita ao dar ele e pede que a menina cuide muito bem de seu fiel companheiro, cuja maior característica é nunca “desistir de você”.
Uma cena comovente, bem pensada, já que a despedida de Andy também é a nossa despedida, é como se fosse nosso adeus aos revolucionários brinquedos que colocaram seu nome na história do cinema, e na nossa história.

“O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
As três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui”

3 comentários:

  1. Awn! *-*
    Coisa mais linda esse post. Assim como o filme.
    Deu pra perceber o carinho que você tem pelo filme. Gostei disso!
    O Buzz hispânico é impagável! Excelente, mesmo.
    Cantei essa música, em inglês e depois em português, na apresentação daquele trabalho de inglês que disse no blog...
    Beijo!

    Sebo nas canelas, Bala no Alvo!

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  2. meu caro, coincidentemente também fiz um post sobre ToY Story 3 e porque eu chorei no filme ahahahaa

    Não adianta, toda a geração pós-adolescente de hoje em dia tem tendências a comoção extrema com o toy story 3.

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  3. Cara, sua "atuação" de crítico foi brilhante, como quase tudo que você coloca por aqui!

    Agora, "Toy Story", para ser sincero, vem antes dos tempos em que eu descobri as maravilhas da Pixar. Então, não é o meu preferido, não sei se vou ver toda essa emoção no filme. Mas a Pixar é mesmo mestre em colocar roteiro, criatividade, história, a frente de qualquer outra coisa. Poucos estúdios fazem isso hoje e, no nível que a Pixar alcança, ouso dizer que apenas eles mesmos! Acho "Wall-e" um filme digno de estar na lista de qualquer um.

    E, se demorou onze anos, é porque eles queriam contar a história certa, no momento certo. Paciência é uma virtude, com certeza. E, no nível que eles estão hoje, não duvido que o terceiro filme de Woody e compania seja mesmo brilhante como estão dizendo.

    Abraço!

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