terça-feira, 27 de julho de 2010

A perfeição que não existe


Nesta semana, a atriz Cléo Pires surpreendeu muita gente ao informar em uma entrevista, que exigiu que seu ensaio para a Playboy fosse totalmente natural, sem a interferência do rapaz (provavelmente um pobre estagiário) do Photoshop. A atriz inclusive admitiu que não malha há algum tempo e que tem celulites, como qualquer outra mulher, mas que quer vê-las nas fotos, assim como suas dobrinhas. Ao fazer esta opção, Cléo acaba escancarando uma realidade esquecida: o corpo das modelos de revistas e anúncios, na maioria das vezes é artificial!
Muitos podem achar que é uma besteira se preocupar com isso, mas, infelizmente, não é. A padronização de uma falsa e inexistente beleza acaba se tornando um grave problema social.
Pra entender essa ideia, é preciso ter em mente que a mulher sempre foi cobrada por uma sociedade extremamente machista e preconceituosa, que a inferioriza constantemente. Basta ler as primeiras páginas do Antigo Testamento da Bíblia, o livro mais lido do mundo e que influenciou muito o pensamento da cultura Ocidental. A primeira história, que conta como ocorreu a criação do mundo, acusa Eva, a primeira mulher, de ser responsável pelo nascimento do pecado. Na mitologia grega (outra que influenciou muitos conceitos humanos) Pandora, a primeira mulher a existir, condeou a humanidade ao abrir uma caixa e espalhar, sem querer, todos os males do mundo. Como podemos ver, desde sempre a mulher sofre com acusações, cobranças infundadas, que acabam interferindo na sua existência.
Hoje essa cobrança gira em torno da beleza, extremamente padronizada e exigente. A grande ironia, é que esse padrão de beleza foi criado pelas próprias mulheres. São elas que não admitem uma celulite, uma dobrinha, uma estria e etc. A maioria dos homens nem dá bola para esses detalhes, mas, como já me disse uma vez minha amiga Iazana, as mulheres não ficam bonitas para impressionar os homens e sim as outras mulheres. Há uma feroz competição no mundo feminino, onde muitas (não todas) lutam por um reconhecimento, que cada vez é mais superficial. Ser bonita é cada vez mais importante do que ser inteligente. É bem verdade que essa vaidade é alimentada por uma insegurança, essa sim conseqüência de milhares de cobranças sociais – os homens não ligam pra detalhes, mas a maioria exigem beleza, são superficiais, mas a mulher valoriza os detalhes, quanto menos “defeitinhos” tiver, mais notada será.
Essa guerra de egos já é um grande problema, mas se agrava quando o padrão de beleza estabelecido pelos meios de comunicação fogem totalmente da realidade. É preciso entender que mulher sem “defeito” NÃO EXISTE! Até podemos encontrar uma sem celulite, sem estria e essas coisas, mas é muito RARO. E provavelmente ela tenha mau hálito, fume ou tenha pêlos encravados.
Mas o fato é que essa mulher idealizada não é comum como as capas de revista e a televisão fazem parecer, a maioria delas são criadas no COMPUTADOR. O Photoshop é o programa de edição de imagens usado para operar milagres. Um caso clássico é o da Mulher Melancia. Todo mundo sabe que ela é uma mulher de grandes proporções, mas na revista ela saiu com uma cintura fininha e a pele lisinha, sem nenhuma celulite, nenhuma dobrinha...

“Aham Cláudia, senta lá”

AQUILO NÃO EXISTE! Quem acredita naquilo é tão ou mais ingênuo do que uma criança que acredita em Papai Noel e Fada do Dente. O pior é que existe mulheres que acreditam... Claro que a muitas desconfiam que é Photoshop, mas mesmo assim sentem-se mal por ver mulheres tão perfeitas expostas por ai.
Isso acaba tornando-se uma doença, uma obsessão desnecessária, que em algumas situações colocam em risco a saúde da mulher, disposta a tudo por um corpo perfeito.
Eu acredito que as mulheres devem ter um corpo saudável, mas não imune de defeitos. Todo mundo tem defeitos! Até a Ana Hickmann tem defeitos... E olha que eu pergunto muitas vezes se ela não foi feita no computador.
Mulheres, valorizem-se! Não resumam sua beleza ao tamanho da sua bunda ou a quantidade de dobrinhas da sua barriga. Quanto mais superficial for a sua visão sobre o mundo, menos valorizada você será.
Por isso, aplaudo de pé a atitude de Cléo Pires, mostrando que uma mulher pode ser admirada, mesmo com alguns “defeitinhos”. Aliás, se você encontrar uma mulher sem “defeitinho” desconfie, pode ser um travesti.

Ao som de: Saving My Face – KT Tunstall

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4 comentários:

  1. Estou plenamente de acordo, Fabio.
    E é exatamente como sua amiga disse.. Mulher se preocupa mais com o que as outras mulheres vão pensar.
    Achei muito legal a atitude da Cléo, também. :D

    Beijo

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  2. Muito legal o que você disse, cara.

    Acho que são poucos os homens que realmente se importam com esses detalhes das mulheres, elas estão cansadas de saber que, para conseguir quem elas querem, não basta ter beleza, ainda mais da forma como elas são exigente conosco, temos também que começar a ser mais exigentes com elas. Beleza é importante, mas precisa vir com conteúdo, e um equilibrio entre as duas coisas é o que eu chamo de "mulher perfeita", não esse tipo de coisa que sai nas revistas.

    Confesso que não sou fã de Cléo Pires, nem nunca achei-a muito bonita, mas a atitude que ela mostrou agora foi admirável, subiu muito no meu conceito!

    Abraço! :D

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  3. Oi, Fábio, acredito que o "felizes para sempre" é uma idealização que a maioria das pessoas têm da vida. Elas acham que a vida deve ser perfeita, sem máculas, por isso, todos têm de ser felizes sempre e para sempre. Pura falta de originalidade... rsrs
    Nossa vida não é perfeita, mas pode ser muitas coisas boas e devemos aproveitá-la a cada instante.
    Obrigada pela visita. Seu blog é nota 10!

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  4. Também aplaudo de pé a atitude da Cleo. Confesso que não gosto da idéia nem do nu artístico, mas ver uma pessoa que decidiu fazer um nu natural, sem apelo para a falsidade seja a fim de conquistar ou de causar inveja, é muito bacana!

    Adorei esse texto! Muito bom, Fábio!

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