quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Deus

Há coisas na vida que simplesmente não podem ser explicadas, mas nossa natureza nos induz a buscar respostas, mesmo que elas não sejam definitivas. Posso listar rapidamente uma lista de perguntas que nunca serão respondidas com a precisão que merecem. Como surgiu o Universo? O que é a vida? E a morte? E finalmente, a que eu considero mais intrigante: Deus existe?
Antes de perguntarmos se Deus existe, devemos responder outra pergunta, que possui respostas, nenhuma exata: o que é um deus? Minha resposta, que não é uma verdade e sim uma teoria, tem base no passado.
Os deuses sempre marcaram presença na nossa cultura, desde os povos mais primitivos, que mal sabiam se comunicar, mas temiam as forças da natureza. Aliás, é incrível imaginar que praticamente todas as civilizações, mesmo distantes e sem nenhuma ligação, tivessem em sua cultura a adoração a forças superiores. O conceito de deus foi abordado de diversas maneiras, em diversos contextos. Como eu disse antes, os povos primatas adoravam a natureza; Os egípcios cultuavam a morte; Os povos pré-colombianos acreditavam no sacrifício; Os gregos na pluralidade... Enfim, o homem sempre se apegou à existência de um poder maior que o seu, a algo intangível que pudesse explicar sua existência.
Com o passar dos anos, as religiões politeístas tornaram-se mitos, dando espaço para as monoteístas, principalmente no ocidente. A religião católica, a mais popular do mundo atual, surgiu através de diversas contradições e possuiu uma história marcada por guerras, torturas, ditadura e sangue, fatos que trouxeram questionamentos, principalmente no Iluminismo, quando o homem passou a ser visto como o centro do universo e Deus passou a ser constantemente questionado.
Questionamentos que ganharam formas e que cada vez mais ganha força. O mundo tem cada vez menos fé. As orações foram deixadas de lado, os deuses foram substituídos por ídolos de carne e osso, nem sempre merecedores de admiração. Há cada vez mais jovens ateus, que pouco se impressionam com antigos mitos e nem ao menos tentam entender essa opinião. O conceito de Deus é cada vez mais superficial, o de ateu também.
Isso está começando a me assustar.


Deus, na minha opinião

Nasci católico, fiz catequese, crisma e pretendo me casar na Igreja, uma instituição que respeito, mas que não me diz nada. Não tenho fé na Igreja, tenho fé em Deus. Acho que a Igreja é um templo, guiado por homens, com tantos pecados quanto eu ou você. A Igreja não guia meu pensamento, não me dita diretrizes. Não acho que ela não tem moral pra isso.
Quando a Igreja ataca o uso da camisinha, não trata-se da opinião de Deus e sim de algum homem que julgou que aquilo era errado.
Deus pra mim é algo supremo, tão supremo que não deveria ser explicado com palavras, apenas sentido, pois é algo abstrato, que está presente em tudo. É um Guia, uma referência que devemos seguir. Meus Deus não é católico, nem judeu, nem budista ou mulçumano. Ele é uma presença, algo que nos tranqüiliza e nos dá força para sermos melhores. Uma força positiva, capaz de mudar o rumo do Universo se estiver presente no pensamento dos homens. Algo que não precisa provar sua existência, pois existe nas coisas que admiro.
Vejo Deus na natureza, em um olhar esperançoso, em algum gesto espontâneo de bondade. Vejo Deus nos milagres diários, nas coisas simples que mudam o rumo de um dia, mas que são percebidas por aquela minoria que não se entrega ao ritmo frenético da vida. Milagre não é fazer um paraplégico andar, milagre é fazer um paraplégico sorrir, é estender a mão pra ele, tratá-lo como igual e não se limitar a ter pena.
Eu não gosto quando uma tragédia acontece e alguém diz “por que Deus não impediu isso?”, acho isso uma grande injustiça. O Deus que acredito é justo o suficiente para não interferir no destino dos homens. A vida por si só já é uma dádiva, é algo que NÓS devemos conduzir. Como culpar Deus quando uma bomba explode um trem e mata pessoas inocentes? Quem é o culpado pela existência de um terrorista? Deus ou a sociedade? Pensem. E os fenômenos naturais que devastam cidades? Quantos deles são causados pela ação do homem? E foi Deus que criou cidades em zonas de risco?
O homem já teve um mundo em perfeitas condições, com todos os recursos que precisava e livre de todas as coisas ruins que hoje atormentam a sua existência. As armas, o dinheiro, as drogas e etc, tudo foi criado pelo próprio homem, não por Deus.
Acredito na existência de Deus. Acredito nisso enquanto houver fé, enquanto houver pessoas com boa vontade, com força para lutar contra a maldade. Não espere que Ele apareça e comprove a Sua existência, comprove você mesmo. Faça o bem e Deus vai existir.

Obs.: No Twitter disse que era um dos meus melhores textos, não sei se é, odeio me avaliar. Mas foi um texto que fiz com o coração aberto, sem medo de errar.

Ao som de: Jesus Walk - Kennye West

8 comentários:

  1. Acho que não teria como eu concordar mais.
    Também nasci católica. Batizada e crismada. Mas hoje, não sigo religião nenhuma.
    Frequento um grupo de oração da Renovação Carismática Católica, porque me sinto bem lá, sinto a presença dEle, como não sinto em missa alguma. Por isso, nem sei qual foi a última vez que fui à missa. Onde eu me sentir bem, eu vou.
    Eu cresci no colégio Adventista e lá eles são bem radicais com a religião deles, daí tínhamos aulas de religião e, esse último parágrafo me lembrou uma música que cantávamos lá, que diz: "Senhor eu quero brilhar por Ti, quando este mundo se apagar. Quero que através da minha vida alguém possa Te enxergar..."
    Enfim, muito bom mesmo o texto! :D

    Beijo

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  2. Também acredito em Deus como 'uma presença', 'uma força positiva', como você diz e assino embaixo. [rsrs]
    Fico indignada, muitas vezes, pelo ser humano - racional? - dizer que Deus é o culpado pelas coisas ruins que acontecem, esquecendo-se de que toda ação tem uma reação... e todas as nossas ações são dirigidas pelo nosso livre arbítrio. Somos senhores, sim, de tudo aquilo que nos acontece, portanto temos a chave para a felicidade: 'pensamentos e ações para o bem, sempre'.
    Obrigada pelos elogios ao blog [é difícil se acostumar a receber elogios... rs] e pelas visitas/comentários.
    O Clube do Camaleão já estava lá nos meus favoritos!
    Um ótimo fds, bjks

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  3. Concordo com muita coisa do que você disse. Eu sou católico também, fiz catecismo e crisma, vou a missa todos os domingos e participo de um Grupo de Jovens que realiza um Encontro a cada 15 dias. Faço tudo isso porque me sinto bem dentro do que a religião católica me propõe, e gosto de viver de acordo com os princípios que Jesus estabelece nos Evangelhos. Muita gente teria muito o que aprender ali.

    Inclusive a respeitar a visão das outras pessoas. Não tenho preconceitos em relação a religião, e isso digo com toda a certeza do mundo, porque sei que, se a pessoa encontrou seu Deus em determinado lugar, é ali que ela precisa ficar. Se o Deus é a inexistência de Deus, para alguns, eu estou bem com isso. O que acho errado é não procurar saber, não buscar, e consequentemente não encontrar, nada para se acreditar. A crença em coisa nenhuma, ao menos, já é uma crença.

    O que você disse de fazer a existência de Deus através de nossas ações é o que eu tenho realizar indo a esse Grupo. Trazer novas pessoas para um grupo bacana, que faz as pessoas se sentirem bem e leva elas para um caminho que o mundo desaprova (mas quem está aí para o mundo? faça o que você achar que é certo!). Sobre as opiniões da Igreja, acho que algumas tem seu fundamento, mas não se encaixam na realidade de hoje. E querer desafiá-las é bobagem, nessa escala. E, como você disse, é uma instituição governada por homens falhos como nós. Por ser guiada por bons princípios, a defendo.

    Abraço!
    E perdão pelo post-post rs

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  4. Igreja faz parte também. Ela trás consigo séculos de tradição, acumulando lições de Deus em seus profetas, santos, e fiéis em geral. Acho errado você não querer fazer parte, por exemplo, da Igreja Católica, apenas por discordar de um ponto pouco importante, como quanto ao uso da camisinha. Lembre-se de que a Igreja é na realidade a reunião de fiéis, e ela lhes fornece a filosofia e a teologia suficientes para responder melhor, por exemplo, a questão "por que Deus não impediu isso?", que você respondeu de forma fraquinha e tal, como deve ter percebido. Te aconselho a buscar uma Igreja para fazer parte.

    Deus te abençoe.

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  5. Igor, obrigado pela sua opinião, mas gostaria de esclarecer algumas coisas.

    1) Minah intenção não era explicar os motivos de Deus não impedir tragédias, isso só fez parte da minha argumentação para explicar o meu conceito do que é Deus. Se eu fosse me aprofundar não faria um post, escreveria um livro.

    2) Nunca disse que discordo da Igreja APENAS pelo fato dela não aceitar o uso da camisinha. Aquilo foi um EXEMPLO. A Igreja Católica perseguiu outras religiões, matou muitas pessoas, criou um regime de opressão na Idade Média, esconde casos de pedofilia, concordou com muitas guerras. Como salientei, respeito a Igreja como templo, assim como respeito as pessoas que fazem a Igreja um templo de Fé e amor, mas não acredito nela como uma organização que traz a voz de Deus. A Bíblia, livro Sagrado da Igreja, é uma colagem de (ótimos) textos, que foi criada por um imperador romano (Constantino) que nem católico era. A Igreja não se preocupa em se atualizar ou desvedar verdades, ela é refém de conceitos criados em outras épocas. Isso eu discordo.
    3) Como disse, e acho que você leu meu texto com pressa, frequento a Igreja desde pequeno. Apesar de não concordar com muitas coisas, saliento que respeito a Igreja como templo e o Catolicismo como Diretriz.

    Obrigado por sua participação!

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  6. Putz Fábio. Talvez não seja seu melhor texto, ainda é cedo para eu dizer, mas sem dúvidas um texto muito intenso e digno de entrar para a lista dos favoritos. Pretendo lê-lo outras vezes.

    Bom (respirando fundo antes de escrever)... Deus nos deu livre arbitrio inclusive para decidir se acreditamos Nele ou não. É claro que ele quer que acreditemos, mas essa decisão cabe a cada um de nós. Decisões como essa, assim como várias outras coisas na vida não estão sendo feitas ou estão sendo feitas de modo banal, superficial. Culpa da sociedade que gerou uma socidade superficial. As exessões que me perdoem, mas quem são os jovens de hoje senão um bando de potes vazios, superficiais? Há muitos vazios na sociedade atual. Muita coisa pequena super-valorizada e muita coisa grande desvalorizada. Valoriza-se o palpável, o material. E coisas grandes como a família, o respeito, a moral e Deus (e outros) estão bem esquecidos, porque é mais fácil se apegar à matéria e esquecer do resto. Só não sei até quando isso vai ser possível assim tão fácil. Tenho medo. Mas ainda tenho fé. Que Deus nos acompanhe. A todos nós, até os que não acreditam.

    Só te garanto que num outro dia, cedo ou tarde, eu ainda vou ter muita coisa a dizer sobre esse seu post. A ância de comentar não me deixou digerir o tanto quanto eu queria... Mas o farei!

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  7. Acho que qualquer coisa que eu venha a dizer sobre o que li agora seria um pleonasmo... Me identifico muito, muito mesmo com as tuas ideias acerca dessa verdade. Também nasci e fui criado na igreja católica apesar de ter me decepcionado MUITO com a incoerência dos membros dela, começando pelo Vaticano, continuo me considerando um Católico, porém, idependente. "Não espere que Ele apareça e comprove a Sua existência, comprove você mesmo. Faça o bem e Deus vai existir." Gostei mesmo, meus parabéns!


    www.catarseonline.blogspot.com

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  8. Fantástico post!! demorei pra ler ele, porque estava sem tempo...
    Mas nossa, foi lindo, disse tudo o que eu penso a respeito de Deus. Eu demorei muito pra montar essa opinião, tive que passar pela fase "ateísta", pela fase "eu confio piamente na Igreja". Até chegar na minha fé em Deus, independente das religiões.
    Eu opto por seguir as tradições da igreja Católica, pq além de ser a instituição onde cresci, é aonde me sinto mais "em casa", e concordo com seus ensinamentos.
    E é isso, adorei o texto!
    Pra variar, está de parabéns!

    Abraços!!!

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