sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Política: Uma chatice necessária.

Confesso que falar de política nunca foi algo fácil pra mim (já devo ter dito isso antes aqui no blog). Sinceramente, acho que não exerço minha função de cidadão eleitor tão bem quanto deveria e acho que a maioria dos brasileiros comete o mesmo erro. Um erro absurdo admito, tanto que resolvi analisar o motivo. Tentando resgatar minha dignidade eleitoral, refiz todos os passos da minha vida de eleitor, desde meu primeiro voto fictício na 5ª série (1996, quando nosso país deu um passo gigantesco e inseriu as urnas eletrônicas), passando pelo dia que fiz meu título (aos 16 anos, 2001), até as últimas eleições. Cheguei a duas conclusões. A primeira é de que não sou um alienado, já que muitas vezes ao menos tentei ser um eleitor consciente, que valorizou a democracia, um direito que foi conquistado por um povo indignado com o silêncio e com a falta de opinião e poder. A segunda é de que é muito difícil gostar e se envolver com política no Brasil. O mesmo povo que exigiu ter voz, assumiu uma postura passiva e relaxada. Essa passividade é um convite à corrupção, já que quanto maior é a ignorância do povo em relação à política, mais fácil é a vida do mau político.
Mas por que o eleitor brasileiro tem tanta dificuldade de se concentrar nas eleições e fazer uma escolha sábia e consciente? Não posso falar pelo povo, porém posso falar por mim. Abaixo listei alguns fatores que contribuem para minha alienação política.

Vivemos uma falsa Democracia
Nossa democracia não é nem um pouco democrática. Pra começar, somos OBRIGADOS a votar! O-B-R-I-G-A-D-O-S.
Tudo que é obrigatório tende a ser repelido, já que o ser humano, por instinto, gosta de liberdade. Essa obrigatoriedade é um golpe forte, que abala o conceito de democracia. Vale lembrar, que democracia é uma palavra de origem grega, que significa governo do povo. No nosso país, o povo ou uma minoria governa? Se o poder é nosso porque somos obrigados a exercê-lo?
Defendo o voto facultativo, pois acredito que isso promoveria uma eleição mais consciente, com muito mais chance de boas escolhas. Muita gente vota apenas por votar, sem qualquer comprometimento e apenas faz porque teme uma punição. O voto é dever de todo o bom cidadão, mas isso tem que ser algo presente na sua consciência, não uma obrigatoriedade imposta por uma lei.
Outro fato que pesa contra a democracia é a falta de fé que o povo tem sobre ela. Esse regime diz que todos mandam no país, mas efetivamente não é o que acontece! Quando tivemos o caso do Mensalão, por exemplo. O que o povo pôde fazer? O Brasil inteiro se indignou, mas se sentiu impotente. O caso foi abafado, algumas desculpas foram dadas e poucos foram punidos, apenas para acalmar os ânimos. Nada ficou resolvido e o povo indignado se acalmou rapidamente. A verdade é que a democracia existe, mas não sabemos como utilizá-la ou melhor não temos muito interesse em utilizá-la. A omissão de um povo é tão ou mais maléfica do que a corrupção de um governo.


Muitas decisões
Vou ser justo, o povo ainda define quem vai mandar no país. A escolha do rumo que o Brasil vai tomar é nossa. O problema é que o eleitor tem que tomar muitas decisões importantes em um curto espaço de tempo. Só nesta eleição, por exemplo, temos que votar em 5 diferentes cargos, ouvir propostas de inúmeros candidatos (alguns inúteis, que só nos fazem perder tempo) o futuro do país nos próximos 4 anos é decidido de em menos de 3 meses. Você escolhe o presidente, o governador, o senador, o deputado federal e o deputado estadual tudo de uma só vez. Quem tem tempo para analisar tantas propostas? Você lembra em quem votou para deputado estadual na última eleição? Possivelmente não, pois muitas pessoas focam seu interesse na eleição do presidente e do governador, por considerarem (equivocadamente) que estes cargos merecem mais atenção. A maioria escolhe seus deputados e senadores por simpatia, nem ao menos conhece a proposta de seus candidatos. A banalização da figura do deputado é evidenciada com a presença de figuras exóticas no processo eleitoral. Este ano temos Tiririca, dizendo que “pior que está não vai ficar” – e Mulheres Frutas... Nós não podemos fazer piada com políticos, mas o eles podem fazer com a nossa cara?

Vários partidos, pouca identidade
Como eleitor, acho que a existência de vários partidos atrapalha a minha escolha. O grande problema não é a variedade e sim a falta de variedade.
Existem sim muitos partidos, mas no que eles se diferenciam? Eu pressuponho que um partido político deva carregar princípios, ideais, um código de conduta, características próprias. Mas isso é balela, é uma ilusão acreditar que isso realmente aconteça. Os discursos são parecidos, foco geralmente é a velha e inútil troca de acusações.
Essa falta de identidade pode ser comprovada na constante troca de partidos feita pelos políticos.

Propaganda Eleitoral
O nome já diz tudo: propaganda. A natureza da propaganda é eleger os pontos positivos e fortalecê-los, a fim de convencer o público. A propaganda eleitoral é repleta de imagens comoventes, músicas animadoras, promessas de um futuro melhor, comprovações de boas administrações e algumas mentiras. Talvez muitas mentiras.
Se a propaganda “comum” já e exagerada, a política é pior. É mascarada, feita para iludir, feita para transformar um grão de areia em uma praia.
Outro ponto negativo da propaganda eleitoral é o desequilibro nos espaços dos candidatos. Um candidato tem 7 minutos pra falar enquanto outro tem 2. Isso é justo? Não, não é. O candidato COMPRA um espaço, o espaço que deveria ser NOSSO, mas não é.
A propaganda política não é totalmente sincera, mas ainda tem uma utilidade. É o nosso primeiro contato com o candidato, a partir dela podemos pesquisar sobre ele, prestar atenção em seu discurso nas ruas e em sua atuação nos debates.
Poderia ser mais justa e menos falsa. Acho que os candidatos poderiam ser mais francos, apontar seus pontos positivos, mas também admitir seus defeitos. Quando fazemos uma entrevista de emprego, geralmente não temos que apontar nossos pontos positivos e negativos? Um candidato está fazendo uma entrevista de emprego, para ser nosso empregado. É justo que saibamos quem realmente ele é.

Nosso DEVER

A mensagem que quero deixar é que ser eleitor é difícil sim, mas porque nós permitimos isso. Quanto menos interesse temos na política, mais submissos somos a ela. O homem que ignora a política merece ser governado pelos idiotas que assumem o poder.
Reclamamos muito da nossa sociedade e o que fazemos efetivamente por ela? Culpar os políticos pelos problemas do país é fácil, nos exime da culpa. Porém, esses políticos que reclamamos, que, desculpem a palavra, cagam na nossa cabeça, só estão lá porque NÓS demos poderes a eles. A política no Brasil só vai ser justa quando o brasileiro olhar pra ela com mais atenção.
Óbvio que posso ter dito muita besteira nesse texto, até porque admiti que sou leigo nesse assunto. Esse foi um passo para meu amadurecimento como eleitor. Agradeço se você teve paciência para ler até esse post até o fim, talvez eu não tivesse, você merece um doce e merece meus parabéns, pois se chegou até aqui é porque algum interesse em política você tem e alguma possibilidade de mudança você representa.

Ao som de: Brasil - Cazuza

7 comentários:

  1. Eu, sinceramente, não tenho uma opinião formada sobre a nossa política.
    Eu queria ter tirado meu título só pra votar no candidato X. Acabei não tirando, mas nem ligo, também.
    Eu me revolto muito com esses problemas de governo, com problemas sociais, econômicos, educacionais, da saúde e blábláblá. Saio com raiva das aulas de Sociologia, haha.
    Quando for minha vez de votar, eu procuro me informar mais e tentar formar uma opinião, senão fizer isso, apenas anulo o voto. Sei lá.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Fabio, eu também era contra o "golpe da obrigatoriedade", até que neste ano ocorreu um fato que promoveu uma mudança em meus conceitos. Poucos meses atrás, aconteceram em Caxias as eleições para Conselheiro Tutelar. Desconheço o procedimento em Porto, mas, em geral, nessa eleição o voto é facultativo. Nao foi por falta de divulgação, e não tenho os dados exatos, mas o número de pessoas que votaram foi assustador, tornando-se evidente o descaso da população. Será que, se o voto no Brasil não fosse obrigatório, os dados não seriam semelhantes? Nesse sentido, acredito que, infelizmente, estamos diante de cidadãos que preferem ir a praia, do que votar no destino de nossa nação.

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  4. Jose, eu acredito que o voto facultativo vá afastar muita gente das eleições. Porém, essas pessoas que não dão bola para o processo eleitoral estão atrapalhando quando exercem o voto.
    Eles votam por votar. Então é preferível que 5 pessoas, com consciencia votem do que milhões que estão lá só por obrigação, não acha?
    Mais escandaloso do que os números são os políticos que assumem o poder graças a uma população pouco interessada, que aceita qualquer discurso para se livrar de suas obrigaçõe o quanto antes.
    =]

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  5. Concordo com você, Fábio. É preferível [um milhão de vezes!!!] que 5 cidadãos conscientes vão às urnas do que esse número absurdo de 'alienados' elegendo políticos preocupados em encher os bolsos e abusar de mordomias. Melhor seria que o voto fosse facultativo, mesmo. Sempre acreditei nisso.

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  6. Cara, eu sempre tive algum interesse em política, e esse ano que vou votar pela primeira vez, acho que estou sendo um eleitor razoavelmente consciente das propostas que vou representar quando votar. O que você disse sobre voto facultativo faz mesmo sentido, acho que se fosse assim seria um passo para um voto consciente.

    Sobre propaganda eleitoral, outro dia parei para ver: o programa da Dilma é de uma produção, de uma sofisticação absurda! Parece coisa de documentário profissional! Acho que, se ela tem o direito de fazer assim, algo tão envolvente, os outros candidatos deveriam ter a chance de fazer também. Acho que propaganda eleitoral deveria ser feita com tempo dividido igualmente, com verba fixa para todos os candidatos, e aí sim veríamos quem tem a posição política que melhor combina com a nossa. Como está, vale só mesmo como primeiro contato.

    Abraço! :D

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  7. Eu gosto de política, não gosto de partidos políticos. Eu sou do tipo de gente que defende um sistema de ensino diferente onde as pessoas voltem a estudar de verdade filosifia, sociologia e ter noções, no mínimo, básicas de política. Não sei se seria solução, mas pelo menos levaria os cidadãos a desenvolver um senso crítico ao invés de aprenderem coisas que 2 meses depois do vestibular já terão esquecido.
    Ainda acredito que os políticos preferem essa sociedade de gente pouco instruída e pouco engajada, porque assim o povo não decide assumir o poder que é seu e permanecerá eternamente impotente diante de mensalões e falcatruas mais. Talvez, se a democracia de fato existisse, o povo iria votar em peso sem precisar ser obrigado.
    E eu ainda tenho esperança nesse nosso Brasil viu?!

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