sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A fórmula do sucesso - O Símbolo Perdido

No mundo da literatura, o sucesso pode ter um significado diferente do usual. Livros que se tornam best-sellers, muitas vezes são desqualificados por críticos pseudo-intelectuais, cujo maior prazer é desprezar o que agrada a maioria. Por sorte, tenho a mente aberta, o que me impede de adotar este pensamento limitado. É preciso entender que a quantidade de exemplares vendidos, não determina a qualidade de um livro ou de qualquer produto cultural.

Vacinado contra este preconceito, encarei a leitura do último livro de Dan Brown, “O Símbolo Perdido”, que já vendeu milhões de cópias. É inegável que as editoras enxergam Dan Brown como uma máquina de fazer dinheiro, mas antes de tudo ele é um BOM autor de ficção. É bom frisar isso: autor de FICÇÃO.


O Símbolo Perdido
“O Símbolo Perdido” segue a mesma estrutura narrativa de “Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”. É verdade que esperava mais ousadia do autor, contudo, entendo que ele use o mesmo estilo que rendeu sucesso - espero que ele não caia na velha armadilha do sucesso, onde a qualidade dá espaço para a quantidade. 
Mais uma vez o protagonista da história é o carismático professor Robert Langdon, que mais uma vez está diante de um crime misterioso envolvendo um amigo seu e que mais uma vez precisa usar seus conhecimentos em simbologia para desvendar mistérios ao lado de uma mulher charmosa. Desta vez, o cenário principal é o Capitólio de Washignton e o tema é a Maçonaria e seus segredos. Mesmo com esses clichês, o livro é bom, e por que é bom? Simples. Na minha opinião, Dan Brown possui duas características que são responsáveis pelo sucesso de suas obras. A primeira é a capacidade que ele tem de manter um ritmo entusiasmaste na narração da história, deixando sempre um suspense no ar ao final da maioria dos capítulos. Também não é fácil trabalhar com acontecimentos paralelos e ele faz isso com extrema habilidade. A segunda característica é misturar realidade e ficção, criando teorias que desafiam o nosso entendimento e despertam curiosidades. É quase impossível você ler o livro e não questionar se aquilo tem algum fundo de verdade. Dan Brown convence porque ele trabalha com a nossa ignorância sobre a maioria dos temas que ele aborda. Isso é um mérito que deve ser exaltado, principalmente por seus livros gerarem outros livros que tentam provar seus equívocos. E é óbvio que há equívocos, pois ele não é um historiador e sim um autor de ficção, como salientei no começo do texto, que trabalha com elementos reais, utilizando sua “licença literária” para convencer o leitor.
Fazendo uma analise individual, “O Símbolo Perdido” é um bom livro, que peca na falta de ousadia, já que trilha o mesmo caminho de seus antecessor. Eu não me senti tão preso à leitura como nas outras vezes, tanto que demorei duas semanas pra ler. Também achei que a história demora um pouco para engrenar, algo que não aconteceu em “Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”. Passagens desnecessárias tornam o livro longo e às vezes meio cansativo.
Mesmo assim, me diverti lendo o livro, pois há muito mais aspectos positivos do que negativos. Gosto do modo como ele apresenta seus personagens, apesar de exagerar na dose de drama em algumas situações. Além disso, a viagem cultural que a leitura proporciona é impagável, você entra em um mundo revelador e começa a levantar questões, o que é sempre um exercício saudável para qualquer pessoa.

Sugiro uma leitura sem grandes expectativas por novidades.

Ao som de: Airplanes – BoB feat. Hayley Williams

5 comentários:

  1. Se eu te disser que eu ja tentei ler Dan Brown várias vezes sem sucesso, você acredita?! Eu não tenho preconceito algum contra best-sellers (no momento, estou lendo A menina que roubava livros), até porque acredito que muitas pessoas compram só porque viram que o livro fez sucesso e não porque realmente souberam que é bom.
    Eu por exemplo, se tivesso comprado os de Dan que comecei a ler, teria virado apenas números nas contagens de exemplares vendidos, porque nunca terminei as leituras...
    E como o assunto clichê surgiu, vou partilhar um pensamento que tive enquanto lia A menina que roubava livros. É mais um livro que se passa no contexto do nazismo e tenho a forte impressão de que a história vai seguir o curso dos vários livros que tentam nos sensibilizar para os kommuniesten... clichê.

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  2. Cara, Dan Brown é um caso muito peculiar. Eu não vou dizer que vejo nele um tremendo mérito literário. Li todos os livros dele até o presente momento, no entanto (O Símbolo está na minha estante, em breve lerei), e isso é uma prova cabal da capacidade que ele tem de produzir entretenimento de primeira. E Brown é um bom narrador, que coloca informação na narrativa sem nos deixar com a sensação de que estamos sendo desviados da trama principal. Desenvolve os personagens com alguma competência, poucos heróis modernos são falhos e carismáticos como Langdon, ou mesmo as protagonistas dos outros livros (Fortaleza Digital e Ponto de Impacto, esse último meu preferido). O que me incomoda nele é que parece sempre a repetição da mesma fórmula, com pequenos elementos de novidade, como se a criatividade narrativa dele fosse limitada a uma linha narrativa definida.

    Se ele me surpreender com um esquema diferente do que ele estabeleceu desde o primeiro livro de sua autoria (o próprio Fortaleza), aí eu concordo completamente com você: Dan Brown é muito provavelmente o escritor mais inteligente a surgir nos últimos tempos.

    Abraços! :D

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  3. Adorei "O símbolo perdido" assim como os outros dele, ainda que sigam a mesma linha de narrativa. No entanto, também espero que ele não preze mais a quantidade que a qualidade, já que seus livros dão muito dinheiro.
    Gostei também dos filmes, mas ler os livros é sempre uma aventura e não tem comparação, NUNCA!

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  4. Caio, na verdade eu acho ele só um bom escritor - com limitações técnicas, tanto que ele não abdica da fórmula que deu certo. Acho a J.K. Rowling bem mais talentosa que ele, por exemplo.

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  5. Não tive oportunidade de ler ainda... Então estou meio por fora... Já “Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”, eu gostei!!..

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