terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Meu sentimento sobre Ronaldinho


Nota: Sei que a maioria que lê o meu blog nem gosta de futebol. Até tentei não falar nada sobre este assunto no meu blog, mas não consegui. Tenho que falar, mesmo que para uma platéia vazia. Não tem tanto a ver com futebol. É mais o desabafo de um cara decepicionado com um ídolo.


Estou triste com o final da “Novela Ronaldinho”.
Pra quem não sabe, eu era o ex-fã numero 1 do Ronaldinho. Um ex-fã que até poucos dias atrás tinha a  esperança de voltar a ser um fã. Eu era. Agora não sou mais. Não sou mais nada. Ronaldinho morreu pra mim como ídolo e até mesmo como um ex-ídolo. Ele é só algo que poderia ser e não foi.
Não há como negar que o dentuço foi o jogador mais talentoso que eu vi jogar. Porém, um detalhe faz com que ele não seja o MAIOR jogador que eu já vi jogar: ele não tem personalidade. Nunca teve e talvez nunca terá.
Isso é notório cada vez que ele dá uma entrevista. Assista 10 entrevistas do Ronaldinho e você verá em todas elas um cara com um discurso programado, sempre dizendo a mesma coisa: “Estou muito feliz” ou “Jogar futebol com alegria” são as expressões mais repetidas. Nenhuma declaração forte. Nenhuma surpresa. Nada. Mesmo estando triste ele dirá que está feliz, pois alguém disse que ele precisava dizer.
Essa falta de personalidade pode ser vista em campo. Ronaldinho brilhou em vários lugares, mas decidiu pouco. Quantas vezes ele foi decisivo em uma final de campeonato? Quantas vezes ele foi importante na Seleção? Chega a ser revoltante! Um jogador com o talento dele, se esconde sempre que o time mais precisa.
Mesmo assim, meus olhos sempre brilharam com o futebol do Ronaldo. Quando ele surgiu. Eu ia quase todas as tardes aos treinos do Grêmio só pra ver o que ele fazia com a bola. Era mágico. Por isso, quando o Grêmio anunciou interesse na sua volta, eu esqueci sua traição do passado (em 2001 ele saiu do Grêmio de graça, após fazer juras de amor ao clube) e seu mal momento (não joga nada desde 2006). Eu queria sentir aquele futebol novamente, mesmo que em lampejos. Queria ver ele voltando e sendo perdoado. Apostava que isso era importante pra ele, que ele suaria para apagar as manchas do passado. Se voltasse para um clube no Brasil, teria que ser para o Grêmio. Foi ali que ele começou, foi o clube que deu à sua família sua primeira casa, que o acolheu quando eles não tinham nada. Ele e sua família nos deviam isso. E outra, aqui ele seria cobrado, teria que se esforçar muito para convencer a torcida. Sua volta seria boa para todos.

Mas ele não veio.
Preferiu o Rio de Janeiro, suas praias e sua noite quente, as facilidades que a falta de estrutura do Flamengo proporcionam e alguns trocados a mais. Ele trocou o respeito que ganharia aqui por isso. Eu não entendo, não quero entender. Só entendo que Ronaldinho não quer mais nada com o futebol, quer só aproveitar os prazeres supérfluos da vida.

No entanto, por mais dinheiro que o Ronaldinho tenha, a partir de agora ele dificilmente poderá andar tranqüilo na sua cidade natal. Só virá a Porto Alegre escoltado por seguranças, de cabeça baixa. Sempre será questionado. Sempre será odiado por muita gente. E não condeno quem o odeia e amaldiciona sua vida e sua família. Ele forçou isso. Não por ter ido para o Flamengo, mas por ter usado o Grêmio e ter iludido os gremistas mais uma vez. Que tivesse ido direto para o Flamengo. Mas ele envolveu o clube “do seu coração” e o apelo emocional que isso tinha para aumentar a sua pedida salarial. Foi objeto passivo de um leilão nojento que o Brasil inteiro acompanhou e condenou. É bom deixar claro que o Grêmio errou tanto quanto ele.

Não vou ser hipócrita e dizer que “nem queria mesmo”, porque queria. Mas ao mesmo tempo que estou triste, sinto um alívio discreto. Quero que no meu time só jogue jogador comprometido, Ronaldinho não se compromete com nada há muito tempo. Não o odeio, apenas sinto pena dele. E pena é um sentimento muito mais cruel que o ódio...

Ta tocando no iPod: Doo Woop – Lauryn Hill

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