terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dexter, meu psicopata favorito


Eu já disse aqui no Clube que psicopatas despertam o meu interesse, principalmente os piores: os assassinos. Se forem assassinos meticulosos e com rituais então... Ei, pare de me olhar assim. Deixe-me ao menos tentar explicar. Não, eu não sou um psicopata e não, eu não um sádico cruel. Antes de me achar bizarro, leia bem. Eu não disse que sou fã de psicopatas, apenas tento entender como a mente deles funciona. Há quem diga que psicopatas não são humanos, pois são incapazes de sentir emoções. Concordo, são monstros e parasitas sociais. Odeio sua existência, temo a sua existência. Porém, se o monstro existe, precisa ser estudado. Quanto mais eu conheço os psicopatas, mais sei identificá-los e mais longe posso ficar deles. Dexter já me chamou a atenção por se tratar da saga de um psicopata, quem sabe ele não me explicasse mais sobre essas criaturas peculiares?

Como cheguei à série
Em 2010 eu passei a acompanhar séries e no fim do ano passado eu estava procurando uma nova série para me entreter, já que “House” e “The Big Bang Theory” já tinham sido exploradas quase que totalmente. Eu queria coisa nova. Eis que, mais uma vez, a minha amiga Iazana (que indicou House) me indica “Dexter”. Eu já tinha ouvido falar da série, aliás, eu sempre tive interesse em assisti-la. A Iazana me lembrou que ela existia. Confesso que no começo a série até me surpreendeu, mas não chegou a me empolgar a ponto de eu querer ver um episódio atrás do outro. Isso até a metade da primeira temporada. Depois, entrei num vício frenético. Precisava ver no mínimo dois episódios por dia. Teve um dia que eu vi quatro! Isso geralmente acontece no final das temporadas, que são muito emocionantes. Hoje, após concluídas três temporadas, posso dizer sem medo: DEXTER É FODA!

A série
Uma rápida síntese da série: Dexter aparentemente é um tímido e atrapalhado perito em sangue que trabalha no departamento de homicídios da policia de Miami. No entanto, à noite Dexter sai para caçar assassinos cruéis que conseguiram de alguma forma escapar da justiça. Sua infância foi marcada por uma tragédia: presenciou o macabro assassinato de sua mãe (nota: existem 3 formas para um psicopata surgir – genética, ambiente hostil, caso do Dexter e lesões cerebrais). Foi adotado pelo exemplar policial Harry, que logo percebeu que o garoto não era normal. A fim de proteger o filho da sociedade e a sociedade do filho, Harry orientou Dexter através de um código. Harry entendeu que Dexter precisava soltar o seu monstro interior, por isso permitia que ele caçasse animais (na verdade Dexter só dava o golpe de misericórdia nos bichos). Mais tarde Harry entendeu que aquilo já não satisfazia Dexter e decidiu que o filho podia ser útil à sociedade matando o “lixo” que o sistema não condenava. Dexter podia matar pessoas, desde que elas fossem más o suficiente para merecer isso. Para isso, Dexter deve ter certeza que elas são culpadas, o que nos proporciona algumas boas investigações.    

NOTA: A série não tem cenas fortes, capaz de causar enjôo nos estômagos mais fracos. Dexter não é sádico, mata suas vítimas com um golpe simples e eficaz. Claro que às vezes aparece sangue, cadáveres ou membros amputados, mas de maneira tão sutil que ninguém pode reclamar.

Herói ou vilão?
A série nos mostra um psicopata “do bem”, e aí que nos deparamos com primeiro conflito: o que ele faz é certo? Aposto que para a maioria das pessoas é, mas também vão existir pessoas que irão repudiar o que ele faz, o que não pode ser considerado errado já que o cara mata pessoas. É aquela velha discussão sobre a justiça e os direitos humanos. Um monstro que estupra e mata crianças tem direito de viver? Dexter, e boa parte da população, acha que não.  
Também somos apresentados aos interessantes conflitos pessoais de Dexter. Ele acredita que é uma pessoa sem coração, que usa máscaras diariamente. No entanto, suas ações muitas vezes contradizem suas convicções. Mesmo sendo um adulto formado, ele procura entender o mundo e as pessoas e acaba descobrindo que muitas vezes se importa com os outros. Muitas vezes questiona Harry, seu pai e mentor, o que gera bons diálogos dele com a consciência de seu falecido mestre. Os roteiristas souberam criar um personagem carismático, como geralmente são os psicopatas (que usam o carisma para conseguir o que querem) e cheio de incertezas. Podemos afirmar que Dexter é um cara ruim? Acho que só na conclusão da série... Que eu espero que demore pra acontecer.

Além do personagem principal, temos uma gama de personagens interessantes, que nos apresentam dramas variados e que muitas vezes não tem nada a ver com o contexto principal da série. Alguns contrastam com o jeito de ser de Dexter. Sua irmã Debra, pro exemplo, é extremamente emocional, o que a torna muitas vezes impulsiva. Já sua namorada, Rita, é uma mulher sensível, meiga e até ingênua. Existe a chefe ambiciosa, o policial correto, o tarado... Enfim, uma ótima variação de personalidades que criam boas histórias.  

Sem enrolação 
A série  também é fantástica porque evolui em uma velocidade ideal. Nem muito rápida, nem muito lenta. Na medida para o público. Aos poucos, detalhes da vida de Dexter são revelados e o melhor de tudo: não fica aquele monte de incerteza no ar como em Lost, por exemplo. Existe mistério, mas ele não é explorado de maneira ambiciosa e comercial. Geralmente as temporadas finalizam as situações, deixando pouca coisa no ar. Dificilmente os episódios apelam para o “continua no próximo episódio”. Claro que fica uma coisa pra trás... Porém nada que irrite o público. Tudo na medida certa.

Assistam, vale a pena!
Dexter tem a qualidade de roteiro e produção que a maioria das séries americanas possuem (aliás, brasileiros poderiam aprender com eles, até quando o povo vai aceitar roteiros bagaceiros de novelas?), mas, mais do que isso, expõe a fragilidade humana.  Diversas vezes somos expostos a conflitos éticos que nos provocam.
Somos ludibriados. Passamos boa parte do programa achando que Dexter usa máscaras e esconde seus segredos, porém, se aprofundarmos o nosso pensamentos percebemos que no fundo ele acaba revelando os nossos.  

A abertura perfeita da série! Uma das melhores que já vi.


Ta tocando no iPod: All of the Lights – Kanye West feat. Rihanna

Um comentário:

  1. Não é o único que tem interesse em psicopatas e em Dexter, mas você já sabe disso. Virou vício, mesmo. Infelizmente me agarrei e tô bem atrasada, mas já já recupero o fôlego até porque não consigo passar um dia sem Dexter. E te garanto, nem Lost me deixou assim tão interessada.

    É difícil dizer se Dexter é bom ou mau porque os nossos valores morais se perdem nessa pergunta. Até agora, eu poderia dizer que muito provavelmente, ficaria feliz se Dexter Morgan existisse para tirar o lixo das ruas. Mas se ele realmente existisse, confessar uma coisa dessas poderia me colocar na lista das pessoas sem coração do mundo. Isso porque a morte de quem 'merece' morrer é algo que ninguem conseguiu definir se é certo ou errado. De um jeito ou de outro, se psicopatadas não são seres humanos eles não precisam obedecer as regras humanas. Portanto, Dexter estaria certo, mas seria uma contradição viva, uma vez que mata com base em regras humanas.

    Entende meu raciocínio?

    Um brinde, e que a série dure por muitas temporadas!

    Ah, você sabia que a Debra é ex mulher do Dexter? (vida real né, rs).

    Beijo.

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