terça-feira, 23 de agosto de 2011

Especial Santiago: Centro Histórico part.1

AVISO: Este é um relato de como FOI, não de como É. Eu posso falar que tal lugar é lindo e você ir e achar  horroroso. Acontece. É um relato da minha visão, de como era quando fui lá, do que achei. Leia, inspire-se, mas não tome como verdade absoluta.


Estratégia Azul

Acordei disposto às 7h da manhã. Não estou acostumado a esse horário, mas estava muito motivado para explorar a cidade. Em viagem dormir é perder tempo. Rapidamente me vesti, vi que estava bem frio (7º) e desci para o café da manhã. A ideia é comer bastante para não se preocupar com o horário do almoço. O café do Gen Suite não era uma maravilha, mas era suficiente.
Eu estava saindo quando me dei conta de uma coisa:  estando sozinho, como faria com as fotos? Queria pelo menos alguma foto minha com o histórico Palácio de la Moneda. Então lembrei da “estratégia azul”, que havia funcionado em Montevidéu. A estratégia é simples, eu uso uma camiseta do Grêmio, que me indica que sou brasileiro e gaúcho. Com certeza alguém ia me cumprimentar ou falar alguma coisa. Aproveitaria esse momento para pedir o favor de uma foto. Voltei ao quarto e coloquei a camiseta.

Perdido
O primeiro objetivo era chegar à avenida principal de Santiago, a Bernardo O'Higgins, que corta praticamente toda a cidade e que seria meu ponto de referência. Cheguei fácil até lá, pois era perto do hotel (4 quadras). Dei de cara com o primeiro “ponto turístico” um belo prédio da Universidade Católica (foto ao lado), que tem um Cristo Redentor no alto. Aí eu me perdi.
Eu tinha dois mapas. O do livro e um do Google Maps com a rota inteligente. O problema é que o do Google Maps tinha as ruas Londres e Paris, o do livro não. Sei lá como, eu fui pro lado oposto que deveria. Enfim, perdi quase 40 minutos procurando as tais ruas Londres e Paris, que não achei naquele dia. Mas cheguei ao Cerro de Santa Lúcia no horário de abertura, que é às 9h. No fim, mais uma vez o errado deu certo

Cachorro louco
Cheguei uns minutos antes do Cerro de Santa Lúcia abrir, aí fui visitar uma bela praça que tem do lado do Cerro e ver a Biblioteca Nacional, que fica ao lado dessa praça. Sou suspeito pra falar de prédios históricos, fico sempre impressionado com a quantidade de detalhes que eles possuem. Os arquitetos do passado eram verdadeiros artistas! A Biblioteca é grande, charmosa, imponente. Tirei algumas fotos e fui pra pracinha, que tinha um belo chafariz. Resolvi bater foto desse chafariz e do nada fui atacado por um cachorro. Em Santiago tem MUITO cachorro na rua, mas muito mesmo. Passei por vários que nem me deram bola, mas esse implicou comigo. Começou a latir. Uma senhora que estava na praça tentou acalmá-lo, mas nada. Comecei a ficar com medo. Medo de ele me morder, de estragar minha viagem. Imagina eu mordido por um cachorro de rua em Santiago? O que eu ia fazer? Ir pra um hospital? Situações simples se tornam complexas em lugares distantes, ainda mais quando você está sozinho. Mesmo assim, encarei o cachorro tirei a tal  foto (que nem ficou muito boa), e saí de mansinho, cuidando o cachorro louco.... Que, graças a Deus, só latia. 

Cerro de Santa Lúcia 
Não passe em Santiago sem ir ao Cerro de Santa Lúcia. É a dica. O Cerro é uma espécie de santuário no meio da cidade, um parque na vertical. Tem vários “níveis”, com diferentes vistas da cidade. Dentro do Cerro, tem várias "praças", com estilos completamente distintos. Eu fiz um vídeo meio tosco do “meio” do Cerro, pois no alto tinha muita gente e iam achar que eu era louco. Aliás, no Cerro eu consegui a primeira foto minha. Fiz amizade com um casal do Ceará e trocamos fotos. A estratégia azul deu muito certo! Obs.: Entrada é franca.

Palácio De La Moneda
video
Infelizmente não podia ficar muito no Cerro, tinha um Centro Histórico inteiro pra conhecer e pouco tempo. Segui pela Bernardo O'Higgins e o próximo ponto era o Palácio de La Moneda. Aí a consagração. Se eu não tivesse me perdido lá no começo, eu chegaria cedo ao Palácio, e perderia o que acredito ser a “troca da guarda”, que começava EXATAMENTE no momento que cheguei lá (o vídeo mostra o começo da troca). O Palácio tem uma arquitetura mais simples, mesmo assim impressiona pelo seu tamanho e pela sua importância história. Foi lá que Salvador Allende cometeu suicídio depois de um discurso histórico para o povo, foi lá que as tropas militares bombardearam, tomando posse e dando início a um dos mais cruéis regimes ditatoriais da América do Sul (quiçá do mundo). Lá a “estratégia azul” novamente deu certo, conheci um casal carioca.

Zig-Zag no Centro
Depois de visitar o Palácio e ver que era cedo relaxei um pouco com a rota, comecei a andar livre pelas ruas. No Centro é preciso ter cuidado. As ruas chamadas “passeos” dão a impressão que são exclusivas para pedestres, pois não há asfalto. Mas não são. Aprendi isso meio que no susto (risos). Andei pelo famoso passeo Ahumada, uma espécie de “rua principal” do bairro. Ali tem muitas lojas e durante a semana é muito movimentada.

Café Com Piernas
No passeo Ahumada eu vi os tão comentados “Café Com Piernas”, tive meio receio de entrar. Dentro só tinha senhores e eu um guri estrangeiro fiquei meio sem jeito. Só que estava lá pela experiência, então eu pensei “que se dane” e entrei. Dei azar eu acho, entrei no Café Haiti (tem vários no Centro) e as moças não eram tão bonitas. Pra piorar, elas me serviram o café com uma indiferença ofensiva. Sem nem olhar pra mim. Não que eu quisesse atenção (tá, eu queria atenção), mas poxa, é isso que é o café? Umas mulheres com micro-saias que passam o tempo todo batendo papo? Isso eu vejo no Brasil! Depois eu vi que dei azar mesmo, passei pelos outros cafés e vi garotas bem mais bonitas e atenciosas. Valeu a experiência. Obs.: o café é bom.

Museu de Arte Precolombiano
No Centro você se perde fácil, tem muita coisa pra ver, muitos prédios históricos pra admirar. Passei pelo grande Palácio da Justiça, pela Casa Colorada, pelo Museu Histórico Nacional, pelo Banco do Chile, pela Bolsa de Valores... Mas o objetivo era o museu de Arte PreColombiano. Me surpreendi com a precariedade do prédio onde fica o museu, tanto que fiquei em dúvida se era ali mesmo. Outra surpresa foi o preço pra entrar lá: 3 mil pesos (12 reais)! No livro dizia que no domingo era de graça... Valia à pena. Logo na entrada conheci um casal gaúcho (estratégia azul copando) muito simpático.
O museu vale o ingresso, se você curte história, é claro. Tem muitas relíquias dos povos precolombianos que habitaram as Américas. Eu fiquei impressionado com a  sofisticação de alguns povos e com os costumes estranho de outros. Perdem-se pelo menos uns 40 minutos lá dentro (se você está correndo contra o tempo como eu). Quando estava saindo eu lembrei de uma coisa importante: a múmia! Precisava ver a múmia, senão ia me condenar eternamente. Voltei e confesso que fiquei meio decepcionado, pois não era um Mun-Rá como eu imaginava. Mas depois vi que estava diante de uma raridade, de algo de 5.500 anos!
Na saída falei com o casal de gaúchos, falei de múmia e eles adoraram! Batemos um papo legal, trocamos dicas. Eles já estavam há 5 dias em Santiago, conheciam várias coisas. Seriam os parceiros perfeitos de viagem se não conhecessem praticamente tudo que eu tinha que conhecer. Sem problemas, eu não tinha tempo pra lamentar. Próxima parada era o almoço no Mercado.

Mais fotos:

                                                                   Cerro de Santa Lúcia

                                                             Palácio de la Moneda
                                                                Zig Zag no Centro Histórico

                                                                      Palácio da Justiça

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