sábado, 24 de setembro de 2011

Sem Planos


D escemos a montanha até que cedo, cheguei ao hotel e era apenas 16h. Não previa isso. Por mais que estivesse cansado, e eu estava MUITO cansado, jamais ia usar aquele tempo pra deitar e esticar as pernas. Tinha duas horas até escurecer! Resolvi sair por Santiago, sem rumo. Foi uma das melhores coisas que fiz.

Ruas Londres e Paris

Decidi tentar achar as ruas Londres e Paris, já estava mais acostumado com o mapa e não tinha nenhum plano pra me apressar. Foi uma sábia decisão, as ruas realmente têm um charme especial. Você sente-se na Europa por alguns minutos... Vale a pena ir. Ali encontramos muitos estudantes, pois há hostels e repúblicas de universitários. Um detalhe: a maioria dos jovens chilenos que eu vi, eram meio emos... Sim, eles ainda existem por lá.

Achados e perdidos

Comecei a andar sem rumo. Claro que tinha alguns pontos em mente, mas decidi deixar o destino me levar. Ele foi legal comigo. Entrei num lugar cheio de camelôs que vendiam produtos artesanais ou souvenir do Chile. Os preços eram bons e as coisas interessantes. Resolvi comprar uma peça da famosa pedra Lápis-lazúli – pedra raríssima e valiosa, o Chile é uma das únicas fontes, a outra fonte famosa é o Afeganistão – que tinha um preço acessível. Ali vi e conheci turistas de vários lugares do mundo, até francesas, que tentei me comunicar, mas mais por gestos do que palavras. Elas riram. Eu também.

Depois fui indo... Tirando fotos, entrando em ruas, vagando. Uma hora me senti perdido, mas logo dei de cara com a sorveteria Emporio de la Rosa! Imagina se não comi outro sorvete? Desta vez foi engraçado porque eu e o cara que servia começamos a conversar e debater como se falava manga em espanhol. Ele achava que manga em português era abacaxi. Foi engraçado. Depois fui indo, decidindo o que faria à noite.

Sem medo

Era de noite e desta vez eu decidi que faria algo. Estava quase sem nada de dinheiro chileno, mas dane-se. Resolvi pegar um trem e ir até o bairro Providência. Lá eu passei em lojas, andei pelas ruas, vi o movimento, passei pelos bares, observei os turistas. Foi legal, mas me senti bem sozinho neste momento. Queria ter alguém do lado pra falar “vamos?” e ser seguido. Uma parceria.

Na hora de pegar o trem de volta um momento tenso. Fui passar a roleta e não achava o buraco pra colocar o ticket! Sabe quando você procura e não acha? Fiquei bem nervoso, fingi que recebi uma ligação e comecei a me afastar. Todo mundo que passava usava cartão! Fiquei olhando, mas cansei e fui perguntar pro segurança. Ele riu, disse que era “só ler”. Neste momento percebi que longe de casa, em um país distante, sozinho, as coisas mais simples se tornam complicadas. Ele concordou e me desejou boa viagem.

Agora sim, depois de gastar meu estoque extra de energia fui descansar, não me agüentava em pé e no outro dia queria aproveitar ao máximo as minhas últimas horas em Santiago.

Avenida Brasil, roubada

Quando fiz a pesquisa, alguns guias indicavam a Avenida Brasil, que tinha uma praça com o mesmo nome. Como brasileiro, achei que deveria dar uma passada. A avenida ficava uns 4km do hotel, uma boa caminhada. O problema é que eu estava detonado. Dor no pé, na perna. Mesmo assim resolvi encarar. Eu estava disposto a tudo.

Ao sair na rua uma surpresa: pela primeira vez eu via Santiago em um dia útil. É louco. Muito louco. Santiago em dia útil é um CAOS! Sério, se senti medo em algum momento foi nesse. Carros, buzinas, multidões, pressa... Nem parecia a pacata cidade do final de semana e feriado! Eu me senti um rapaz do interior chegando na cidade grande.

Andei, andei, andei e cheguei na tal avenida. Decepção. Achei um dos lugares mais feios da cidade, juro que não vi NADA de atraente nela. Fiquei meio chateado, pois perdi quase uma manhã fazendo isso. Tinha outros lugares mais interessantes pra ir.

Compras, Museu, Praça e até logo


Voltei pro Centro e lá comecei a vasculhar as lojas. Comprei pouca coisa (me arrependo de não ter comprado nenhuma calça, estava barato...), talvez só pra dizer que comprei (duas blusas meia-estação, seus curiosos). Andei bastante, prestei atenção em coisas que passei despercebido antes, como o incrível Teatro Municipal – que, infelizmente, só abre pra visitação nas quintas e sextas (era terça), achei mais uma Starbucks... Voltei ao hotel para fazer meu Check out e de lá fui para o Museu de Bellas Artes. Lá é lindo, um espaço enriquecedor que vale a visita. Ali eu percebi que muitas vezes vamos a outros países para aprender a valorizar a arte. Por que não valorizamos a nossa? Sabe quantos Museus legais existem em Porto Alegre? Vários. Sabe quando eu vou? Raríssimas vezes! Prometi que mudaria isso...

Ainda sobrava tempo pro almoço. Sem querer, achei uma linda rua no meio do Centro de Santiago: a praça Mulato Gil. Um lugar muito interessante, que passa um ar intelectual, cultural, diferenciado. Me identifiquei muito com aquela ruazinha cheia de prédios simpáticos e aconchegantes. Pra completar, ali achei meu almoço: um restaurante com comidas típicas da Patagônia. Não gostei muito da comida, nem odiei, mas adorei a cerveja artesanal – recomendo demais!

Brindei meu “até logo”. Voltei pro hotel, esperei meu transporte e me fui pro aeroporto, aproveitando as últimas vistas que Santiago me oferecia.

Próximo post: Conclusão

Tá tocando no iPod: Quase Sem Querer - Legião Urbana
"Quantas chances desperdicei,

Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém."