domingo, 22 de janeiro de 2012

Chatos




Por um momento cheguei a concordar com a declaração de Carlos Nascimento. Só por um momento. Depois pensei melhor, e percebi que ele estava falando uma grande idiotice. E, diferente de muitos, nem foi pelo fato dele trabalhar no SBT. Nada a ver. Acho idiotice porque vejo Nascimento sendo porta voz de uma  cultura que vem crescendo muito nos últimos anos, uma cultura que tenho nojo: a dos “inteligentes demais” (alguns a chamam de pseudo-intelectuais).

Para ilustrar o meu pensamento, lembro um memorável episódio dos Simpsons, no qual Homer descobre que sua falta de inteligência é culpa de um giz de cera que entrou por sua narina e atingiu seu cérebro. Lisa fica entusiasmada com a possibilidade de o pai ser como ela e implora que ele retire o giz. Ao fazer isso, Homer se transforma, se torna muito inteligente, mas ao mesmo tempo um cara chato. Ele tenta se adaptar à nova vida, mas não consegue, pois tem uma visão crítica sobre tudo. Um dos melhores momentos é quando ele vai ao cinema assistir uma comédia e sai dali sem dar uma risada, já que não vê graça nas piadas estilo besteirol. Isso o desanima tanto, que ele recoloca o giz no lugar pra voltar à sua feliz ignorância.

Esse episódio sempre me intrigou porque levanta um questionamento importante: todo cara muito inteligente é infeliz? Creio que não. O problema não é ser inteligente, o problema é levar tudo tão a sério. É analisar tudo de maneira crítica.

Muitas vezes eu critico essa mania do brasileiro levar tudo na brincadeira, como critico (aqui no Clube, principalmente) certos modismos que levam o povo à alienação. Porém, não se pode ser tão radical nessa análise. Às vezes precisamos desligar nossa mente, nos entregar ao bobo, ao desnecessário. Às vezes assistir um programa como o BBB pode ser saudável. Fazer piada com o caso da Luíza também.  Basta saber que isso é lazer, só lazer.
Muitas pessoas não sabem desligar, e acabam levando tudo a sério. Isso faz elas acreditarem que são superiores e mais inteligentes que a maioria. Daí surgem  críticas fortes e, muitas vezes, sem fundamentos.  Pois a maioria das pessoas que se julga inteligente, não é. Talvez o Nascimento faça parte desse grupo, talvez tenha apenas sido um porta voz dessa cultura. Acho que ele foi extremamente infeliz, principalmente pelos exemplos que deu.

Vamos aos casos.

Não sei se houve estupro no BBB, mas há fortes indícios que sim. Quando há suspeita, o correto é que haja investigação. E isso só aconteceu porque as pessoas exigiram isso através de incansáveis discussões na internet.  Se dependesse da Globo, ia só virar uma piadinha sem graça do Pedro Bial na abertura do programa. Ia ser esquecido, ignorado. Onde está o erro, Nascimento?

Já o caso da Luíza se encaixa no que falei anteriormente. Foi uma propaganda com um texto tão bobo, tão tosco, que as pessoas riram. Brasileiro tem muita criatividade e as piadas que surgiram do caso Luíza são um belo exemplo disso. Paramos pra rir de uma situação anormal, de uma besteira que gerou outras besteiras. Depois se tornou curioso saber como aquilo foi escrito, quem era a tal de Luíza, que foi pro Canadá.  Não dá pra culpar as pessoas por isso. Nem fazer discursinho inflamado em cima disso.

Claro que houve exageros, tanto no caso do BBB quanto no caso da Luíza. Sempre há. E esses exageros devem ser criticados, mas de forma inteligente, não colocando tudo no mesmo saco e menosprezando todos os envolvidos com palavras agressivas, como fez o Nascimento. Ele, como todos da turma dos “inteligentes demais”, abusou da arrogância e até da ignorância. Falou como se todos que tivessem comentando os dois assuntos fossem “menos inteligentes”, como se ele tivesse autoridade pra dar essa bronca. Não tem!

Eu respeitaria a opinião do jornalista se ela fosse mais profunda e se ele tivesse colocado com mais classe. Mas senti que foi uma crítica ao ar, sem muitos critérios, feita por alguém que viu os casos por cima. É como se fosse o resmungo de uma criança que está fora da brincadeira, que critica por criticar. E, meus amigos, a crítica por crítica também é uma forma de alienação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por estar aqui.
Comente! Afinal este espaço também é seu.