terça-feira, 17 de julho de 2012

Bobo


Tive sorte. Peguei no final o tal viral “Perdi meu amor na balada”. Vi só por curiosidade, quando todo mundo já tinha visto e os comentários estavam cansados. Quis saber quem era o tal cara desesperado. Antes de ver eu realmente acreditei que era um cara desesperado.

Fui bobo.

Logo que o vídeo começou eu estranhei a qualidade. Bom demais para ser um vídeo feito às pressas. Quem está desesperado não toma tantos cuidados técnicos. O texto do cara era linear demais e acho que poderiam ter contratado um ator melhor. Não senti o apelo dele. Deu pra ver que era fake.
Outra coisa que me chamou atenção é a ideia central. Tudo bem um cara se interessar por uma garota numa balada e pedir ajuda pra encontrar ela. Agora, fazer JURAS DE AMOR a uma garota que ele conheceu por horas...  É suspeito demais pra mim. Se de fato a tal Fernanda existisse, ela seria insana de encontrar um cara assim. Suspeito sempre de amores que nascem de breves momentos.
Por fim, em que ano estamos? 2012. Quem anota telefones em pedaço de papel? Disca pra droga do celular. Quem saí pra balada sem celular?
Enfim, é muito fácil ver os deslizes e perceber que aquilo não era amador, não era espontâneo. Tinha algo por trás. Um dia depois, minha suspeita vira certeza.  Era o inicio de uma campanha publicitária.
Não que eu ainda me surpreenda, mas confesso que ainda me assusta o nível que a publicidade se rebaixa em alguns momentos.
Vivemos em um mundo cada vez mais carente. Pessoas estão solitárias e muitas se jogam na noite em busca de um milagre, acreditando que irão encontrar sua alma gêmea e que sua vida vai se transformar. É bobo, mas é uma expectativa que existe, um desejo velado de muitas pessoas. A tal campanha se aproveitou desse ponto fraco pra chamar atenção, pra se propagar como uma praga.
Quantas pessoas acreditaram no apelo do rapaz apaixonado? Quantas postaram o vídeo ingenuamente, esperando ajudar o sujeito? Quantas se identificaram com o desespero dele? Eu fico pensando nessas pessoas, na cara que elas ficaram quando caiu a ficha. Aí eu me enojo da campanha, vejo um completo vazio nela, um erro primário.
O jogo inverte e o vídeo sensível se torna um monstro comercial, feito pra enganar, feito pra chamar atenção através da mentira. Vai vender? Talvez venda, as pessoas esquecem, é o mal do nosso país, mas aposto que vai vender para um público bem menor do que poderia, se a campanha fosse mais sincera.
Eu sei que propaganda é feita pra vender, afinal, estudo isso. Mas existe algo chamado sutileza e isso deixou de existir nessa campanha. Foi apenas um modo escancarado de dizer “fazemos qualquer coisa pra vender nossos produtos”. 

Um jeito bobo de nos chamar de bobos.

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