quinta-feira, 29 de novembro de 2012

10.08.1994



Não sei exatamente a data que pisei no Olímpico pela primeira vez. Era muito pequeno, mal sabia quem eu era. Só sei que estava ali. Lembro vagamente de um jogo chuvoso, era campeonato Gaúcho e o Grêmio ganhou de goleada. O que mais me importava era o cheiro de pipoca e amendoim que aquele lugar tinha. Não foi meu primeiro jogo, com certeza, mas é a lembrança mais longínqua que tenho.
Posso não saber exatamente o primeiro dia que pisei ali, mas sei exatamente o dia que me apaixonei por aquele lugar, o dia que virei gremista de verdade: foi no dia 10 de agosto de 1994. Não tem como esquecer. Primeiro porque é o dia do aniversário da minha mãe. Depois porque foi o dia que o Grêmio foi Bicampeão da Copa do Brasil. Um a zero suado em cima do Ceará, gol do Nildo bigode. Eu estava lá. Com meu pai e meu primo. Senti pela primeira vez aquele estádio me acolher, me trazer uma felicidade única através daquela vibração inesquecível. Ah, claro. Só tinha uma regra: não falar palavrão. Mas aprendi o que era “filho da puta” rapidinho...

Mais simbólico não poderia ser. Aquele título foi o primeiro de uma Era inesquecível! Ele deu o direito de jogarmos a Libertadores do ano seguinte, o que seria um dos anos mais fantásticos da vida de um gremista. Sabe, eu me considero um cara sortudo por causa disso. Vivi uma das melhores épocas do Olímpico. Vivi de perto o que hoje as pessoas contam com orgulho, o que virou história em livros e documentários vendidos por aí.  

Outra data inesquecível foi o meu primeiro Grenal, no dia 17 de março de 1999. Mais uma vez eu tive sorte. Peguei o final de um tempo que infelizmente não vivemos mais. O tempo em que o estádio praticamente se dividia ao meio. Metade azul, metade vermelho (ok, não vamos exagerar, 40% vermelho só, talvez 30%). Era lindo de ver! Foi um empate, mas vejam só, naquele ano o Grêmio começou uma série invicta de 13 jogos, que só foi acabar em 2003! Me sentia o cara mais pé-quente em Grenal, pois demorei 4 anos pra ver uma derrota.

A minha memória do Olímpico é excelente. Se alguém me citar um jogo que estive, certamente vou lembrar de alguma situação ocorrida nele.  Há pessoas que não sei o nome, mas sei exatamente o modo que vibram um gol ou o palavrão preferido. Ali era o templo da loucura, o ideal era se descontrolar. Abracei desconhecidos, discuti com exaltados, consolei pessoas que sentiam a mesma dor que eu e cantei. Cantei o mais alto que pude, mesmo com essa voz fraca que tenho. Saí rouco muitas vezes. E muitas vezes saí alucinado! Como esquecer aquela classificação milagrosa do Brasileiro de 1998? Da final da Copa do Brasil de 2001? Da Libertadores de 2007? Do Grêmio x Santos de 2010? Nem vou citar os clássicos com o Palmeiras nos anos 90! O Grenal do Centenário...

Posso citar vários, vou sempre ser injusto com algum. E não pensem que vou negar a Segunda Divisão em 2005. Foi foda, mas também lindo ver a torcida enchendo o estádio naquele momento ruim...

Tive todo tipo de contato com o Olímpico. Consegui  pisar no gramado e tive  meu nome citado no sistema de som, acompanhado de um parabéns. Vi ele cheio, muito cheio, mas muitas vezes vi ele vazio. E quer saber? Ele nunca deixou de ser Monumental. Nunca deixou de me passar conforto, mesmo sendo de concreto e com bancos de cimento. Por pior que a derrota fosse, eu tinha um consolo: estava no Olímpico, ele ia me trazer algo bom. Sempre trazia.

Agora vamos para o último desafio: o Grenal de despedida. Nenhum jogo carrega tanta emoção. Nenhum jogo me deixa tão nervoso. Nem final de Libertadores! Odeio ver a torcida do meu maior rival comemorar um gol. E é tão bom gritar GOL contra eles! Mais uma vez vou exaltar minha sorte: vou ver a despedida do Olímpico num GRENAL. Tem noção de quanto isso é especial? Vou entrar pra história, uma linha, talvez, mas estarei lá.  
No dia 02 de dezembro de 2012 eu vou encerrar um dos ciclos mais felizes da minha vida. O Olímpico vai deixar de existir fisicamente, mas será  eterno na minha mente.  Espero não chorar demais, acho difícil, viu. E ó, não sei se vou sair tão cedo de lá. Nem sei se não vai ser preciso força policial pra me remover. Quero sentir por completo a atmosfera que por tanto tempo me acolheu.
Olímpico eterno! 


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