quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Idiota


Eu estava quieto. Quieto até demais. Há quase dois anos não acontecia. Nada me interessava. Tudo era tão chato, tão óbvio. Aí surgiu aquele domingo. Era setembro. Que mês mágico! Meu favorito. Tudo de bom acontece em setembro. E foi quase no fim.... Mas ainda era setembro.
  
Apareceu do nada. Sem eu esperar. Confesso que me pegou de surpresa, desatento. Fiquei curioso. Uma curiosidade que achei que tinha perdido. Quis saber mais. E cada vez mais me surpreendia. Me surpreendia com o meu interesse. Aquele que não acontecia há quase dois anos. Mas aconteceu. E pra algo tão distante e improvável.

Olha, eu juro que tente esquecer. Até me distraí por aí com as velhas distrações. Mas pareciam ainda mais monótonas do que antes. Eu queria saber mais. Quebrei a cabeça pra descobrir um jeito de me aproximar sem ser assustador ou esquisito. Sou péssimo nisso. Quem conhece sabe. Inventei. E caras, saiu algo legal, engraçado. Não tinha como dar errado. Deus sabe quantas horas eu demorei pra dar o ENTER. Mas dei. Logo eu, tão receoso. Estava curioso demais para parar e pensar. Só queria saber. Saber mais.

Dei o primeiro passo. Comecei a pensar passo a passo. Cada passo seria cauteloso, pra evitar erros do passado. O problema é que sou ariano e arianos são urgentes. O mais impressionante de tudo é que tive paciência. Paciência pra tramar modos de chamar atenção, de ser autêntico. Fiz coisas que nunca fiz por ninguém baseado numa certeza que nunca tive antes. Uma certeza que me impulsionou.

Ah, rolou uma coisa esquisita também. Eu fiquei feliz. E felicidade nunca foi uma coisa que me acompanhou por muito tempo na vida. Porém, desde aquele dia no final de setembro eu comecei a acordar feliz. A sair de casa selecionando a música mais alegre que tinha no iPod pra sair cantarolando. Eu sorria pras pessoas! Via o lado positivo de tudo. Eu comecei a me questionar porque nunca vivi assim antes...

Essa felicidade me fazia ter vontade de fazer sorrir.  E não só quem fez ela existir, mas todo mundo. Eu quis fazer o bem. Sabe por quê? Porque me senti vivo como há muito não sentia e quando você se enche de vida, só quer espalhar isso por aí. É demais para uma só pessoa!

Foi algo mágico o que aconteceu naquela manhã de domingo no final de setembro. E nem sei dizer o que é...

Não, não. Não é amor. Pelo menos não agora. É vontade de ser feliz! Mesmo que pareça tão improvável. Mas a coisa de um passo de cada vez funciona, vocês precisam experimentar. Se deliciar com cada conversa, com cada descoberta, com cada possibilidade. Ter vontade de retribuir a felicidade que sem querer te foi dada, mesmo que isso exija esforços que você nunca sonhou fazer. E você faz. Feliz por estar fazendo.

Tudo parece legal, o problema é o outro lado...

Não estranharam que falei tudo no pretérito? Tentar é bonito, legítimo e sensato. Tentar é o que faz as coisas acontecerem. Mas há chance delas não acontecerem. Talvez não aconteça. É provável que dê errado. Aliás, eu SEI que vai dar errado, mas eu preciso fazer da certo. Porque eu sou assim. Um cara que tenta. Que tenta até o fim. E que sabe que vai sofrer por tentar. Sabe mais ainda que o sofrimento seria maior se não tentasse. Então, me deixem tentar, pois tenho certeza que não desisti ainda. 

Me chamem de idiota, podem rir das minhas tentativas. Não me importo. Sou assim.

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