quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Frágeis



Volta e meia eu descubro que somos frágeis. Sorte que logo esqueço. Mas quando eu lembro, é sempre doloroso. E assustador.
Sabe, eu sei que tenho uma vida. Só uma. E que ela vai passar rápido. O que me assusta não é isso. O que me assusta é  é que normalmente eu vivo com a ideia de que vou viver até meus joelhos não aguentarem mais, meu cabelo ficar branco e os jovens serem tolos faceiros.  É a ordem natural das coisas. É assim que deveria ser.
Tudo muda quando eu lembro que nem sempre é.
Vejam só. Todos os dias entregamos nossa vida a vários desconhecidos! A desconhecidos! E não há como fugir disso. Você entra em um ônibus guiado por um anônimo, come em um restaurante sem olhar o cozinheiro, sobe em um elevador que acredita ter sido revisado por alguém... Nossa vida é decidida por acasos, por coisas que deveriam ser feitas. Você não vive pensando que elas não foram feitas. Você põe fé no deveria.
E é aí que eu percebo o quanto somos frágeis.
Esse trágico episódio de Santa Maria expôs toda a fragilidade humana de forma cruel.  Não gosto de pensar na dor que senti naquele domingo que quero esquecer, mas que dificilmente vai sair da minha mente. Marcou na alma, e quando marca a alma...
Meu choque foi perceber que vidas foram destruídas por uma negligência. Uma não, várias. E que a soma disso tudo resultou em centenas de mortes, feridos que vão ter marcas eternas e pais, amigos e familiares desamparados para sempre.
Presenciamos de perto uma tragédia que imaginamos acontecer em lugares distantes. Isso não existe. Isso é ficção. Sabemos que não é, mas é o jeito que encaramos para não pensar nisso. Para afastar a possibilidade de acreditar que tragédias como essa são reais. Agora aconteceu aqui. E dói demais saber que isso existe mesmo.
O que aconteceu na boate Kiss vai ecoar durante anos, durante vidas inteiras. E cara, isso é louco! É insano. O que resta é torcer para que justiça seja feita. É o mínimo que podemos esperar. É o mínimo que as pessoas afetadas esperam.
Eu gostaria de fazer mais. De trazer um pouco de alento para essas pessoas. Gostaria que elas voltassem a esquecer o quanto somos frágeis. 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por estar aqui.
Comente! Afinal este espaço também é seu.