sábado, 15 de junho de 2013

Mudando



A primeira reação, quase sempre, é acreditar nas primeiras palavras que nos falam. É cultura do país. Não aprendemos muito bem a ouvir os dois lados, muito menos a legitimar a existência de mais lados.

E somos críticos. Ouvimos o que nos contam e já saímos criticando. 

Gostamos de criticar, principalmente quando no meio da crítica surge uma frase de efeito que abrange tudo, e facilita ainda mais as coisas. Criticamos porque é fácil. Criticamos porque não nos toma tempo nem nos põe em risco. Principalmente se isso é feito no conforto do lar, protegido pelo nosso avatar na internet. O problema surge quando alguém aparece e exige algo além da crítica. Não sabemos como agir e assim nos tornamos violentos.

Muitas pessoas acharam um absurdo o aumento da passagem de ônibus. Quase todo mundo é insatisfeito com o serviço. E muita gente está de saco cheio do Brasil. Não temos segurança, os preços sobem, a saúde é precária, a educação não é valorizada e a cada dia descobrimos um caso de corrupção que sabemos que não será punido.

Aprendemos a desacreditar na Justiça, e a frase que escolhemos para resumir todos nossos problemas é: “os políticos não prestam”. Com essa frase nos livramos da culpa. Com essa frase nos livramos da exigência de uma ação. Com essa frase nos acorrentamos no comodismo.

E toda vez que alguém tenta sair desse contexto, profere-se a frase “Bando de vagabundos, vão arrumar o que fazer!”. Não gostamos do que está acontecendo, mas nos irritamos quando alguém tenta nos tirar da zona de conforto. Passeatas atrasam o trânsito, recebem olhares de recriminação de “gente do bem”. Manifestos são respondidos com frases prontas. Está tudo treinado, está tudo domesticado.

O Brasil nunca foi invadido por nenhum país depois de ser Brasil. O Brasil é famoso por ser alegre. O Brasil é bonito por natureza. Porque se incomodar criando o caos no Brasil? No fim, bem ou mal, as coisas aparentemente dão certo. O Brasil é um país sem lições, torto desde nascença.

Nossa independência não foi festejada. Nossa República surgiu no silêncio. Nossa ditadura foi vencida pelo cansaço. Nós derrubamos um presidente corrupto, mas não aprendemos a eleger políticos melhores. Nossa história não tem traumas ao mesmo tempo que não é limpa. É uma dor que se percebe após a festa que insistimos dar. Aos espetáculos que adoramos ver.

Quando alguém foge disso, há críticas. As primeiras palavras serão sempre críticas. E as primeiras palavras sempre serão da imprensa. E nós estamos acostumados a acreditar nas primeiras palavras.
Por isso, penso que a revolução tem que ser maior do que os protestos. A revolução tem que acontecer na gente, no nosso jeito de pensar. Precisamos acabar de vez com a cultura do “jeitinho” e com a mania de se aproveitar de situações. Corrupção não nasce no Planalto Central. Corrupção nasce no nosso dia a dia, nas nossas pequenas ações que constroem a sociedade. Um político é só um cidadão que assumiu o poder.

Que nossa revolução aconteça nas ruas, no grito do povo, mas que também aconteça no nosso jeito de pensar e agir. E que todos os dias a gente procure revolucionar... O Brasil precisa mudar, e a mudança começa no próprio brasileiro.

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