quinta-feira, 11 de julho de 2013

100 Anos de Solidão e uma tentativa de resenha

Não gosto muito de escrever sobre livros. Na verdade, acho que não tenho o dom pra escrever sobre livros. Então, desde já aviso que esse texto tem tudo para não ser uma boa análise sobre um livro, porém, alerto que ela é necessária. Neste momento, eu sinto que PRECISO falar sobre esse livro, e essa vontade supera as dúvidas que tenho sobre a qualidade deste texto.

Quando se fala em Gabriel Garcia Marquez, se fala no seu livro mais famoso: “100 Anos de Solidão”. E logo é comentado o grande prêmio que ele ganhou, o Nobel da Literatura. Talvez o prêmio máximo para um livro. Talvez, porque eu também não entendo muito sobre prêmios literários.

Enfim, é um livro muito recomendado, mas de uma forma que considero injusta e incompleta. Uma forma generalista. E “100 Anos de Solidão” merece muito mais do que isso. Muito mais do que um “É um grande livro, vencedor de um Nobel!”, a referência mais frequente sobre ele.

Não que isso não possa ser dito, o problema é que muitas vezes SÓ isso é dito. E isso induz muitos leitores desavisados a uma leitura faminta, que é barrada pelo estilo denso de Gabriel. Muitos então se decepcionam, e lamentavelmente definem o livro como chato.

“100 Anos de Solidão” está longe de ser chato, porém, é preciso alertar que ele exige muita atenção do leitor, principalmente pela fascinante sequência de histórias, amarradas com perfeição por um escritor cuidadoso e inspirado. É impressionante como Gabo conta a história de uma vida inteira em poucos parágrafos. Tanto que a quantidade de personagens do livro é absurda (alguns livros têm árvore organogramas para ajudar), e, mesmo assim, é fácil ser cativado por cada um deles.

A história da família Buendía é uma história de solidão. E não se trata daquela solidão óbvia, que vem à mente quando a palavra é proferida. Gabriel é genial ao expor todas as faces da solidão, e mostra que a pior solidão é a de espírito. Os personagens são consumidos por pensamentos e atitudes egoístas, que os levam a dramas que se repetem ao longo dos anos. E aí vem a principal conclusão do livro: o tempo não segue uma linha reta, ele anda em círculos.

Os erros cometidos pelos Buendía são erros cometidos por nós. A solidão que consome o mundo não é atual, ela sempre existiu. E nos acompanha através da sua sutileza, do nosso erro de atribuir solidão à falta de alguém. Por isso, senti um golpe profundo a cada história que se concluía, pois de certa forma me identifiquei com cada um delas. Já busquei guerras sem sentido, e perdi todas elas, assim como mergulhei em fixações que não levariam em nada, só para fugir da realidade...

O mais legal é que a quantidade de histórias condensadas em uma só nos permite diversas interpretações. Até porque a leitura atenta de “100 Anos de Solidão” exige muitas reflexões, e existe coisa melhor do que ler um livro e refletir sobre ele? 

Aliás, há mais para ser dito, e ninguém melhor que a linda da Gabriela pra falar sobre: http://youtu.be/rXmWoFridI0


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