domingo, 25 de agosto de 2013

Peru - parte 1: Começando a viagem



Porque o Peru

Acredito que o primeiro passo de uma viagem é decidir o destino.  O Peru certamente é um destino lembrado por viajantes do mundo todo, mas geralmente por uma razão: Machu Picchu. Isso não é um erro, afinal, o sítio arqueológico é uma referência turística tal qual a Torrei Eiffel, Estátua da Liberdade ou o nosso Corcovado.

Mas o Peru é um país que oferece muito mais aos seus visitantes. Por exemplo, dos 114 ecossistemas do mundo, 84 estão presentes lá.  Seus 71 parques nacionais abrigam uma diversidade incrível de fauna e flora, tanto que detém o recorde mundial de quantidade de pássaros e borboletas.



Mulheres aimarás nas Ilhas Flutuantes
Também se destaca por sua pluralidade cultural. Povos indígenas sobreviveram à dominação cultural europeia e até hoje mantém suas tradições.  Se não me engano, e isso não é um dado exato, o Peru tem a maior população indígena da América do Sul, tanto que possui dois idiomas oficiais: o espanhol e o quéchua, o maior grupo indígena e os “incas” (depois explico as aspas). Aliado a isso, há uma mistura natural entre esses povos e os espanhóis. Alguns povos são 100% naturais, como os Ashaninka, da Amazônia, e os q’eros, do nordeste de Cusco. Outros não. Os aimarás que habitam as Ilhas Flutantes (que antes eram dos uros)  já falam espanhol e os habitantes das Ilhas Taquile usam vestimentas  espanholas.  

Essa mistura se faz presente no folclore (rico em detalhes e muito valorizado), inclusive nas danças que debocham dos colonizadores espanhóis e que são dançadas nos vários festivais em Puno. Além disso, notei que há algum tipo de laço com a cultura oriental. Há muitos japoneses por lá e Lima tem um bairro chinês!  Inclusive eles já tiveram um presidente japonês.

E claro, há os tesouros arqueológicos, que têm sua expressão máxima em Machu Picchu, por ser o sítio mais preservado e completo de todos. Mas repito: é um erro pensar que é a única coisa a se ver. É com certeza a cereja do bolo, mas há muito mais a se ver. Conheço pessoas que foram a Cusco e não sabiam que dentro da própria cidade havia a sede do império inca, Qqoricancha. E é preciso deixar mais claro: os incas foram os maiores, mas não os únicos. Muitos povos pré-incas se destacam por seus legados (como a famosa Tumi, a faca cerimonial que é um ícone no Peru).

Há muitos outros pontos que poderiam ser destacados, como a culinária e a música, por exemplo. Porém, creio que o passo seguinte a escolha do seu destino é a pesquisa sobre ele. Assim que defini que iria para o Peru, comprei livros, procurei blogs e conversei com pessoas. Essa etapa é fundamental, pois é aí que você constrói sua jornada. Meu objetivo aqui é dar um norte, apenas dar um norte.

Preparação

É um país cheio de opções e melhor: um país pequeno. É possível conhecer tudo em pouco tempo. O problema é que é um país que tem dificuldades, tais como estradas ruins (não entre as principais cidades), estrutura precária em alguns lugares e picaretagem – este talvez o maior problema. Para evitar isso, é bom se preparar. Quero ajudar nisso e vou usar meu relato para tanto.

Ressalto que não sou profissional na área de turismo, apenas um turista que se preparou, foi até lá, viveu experiências incríveis e algumas dificuldades.  Comprei um guia da Folha de São Paulo que me ajudou muito, mas me deu algumas informações desatualizadas. Portanto, não estou imune a falar A e você encontrar B. Acontece e faz parte da experiência. Por isso aconselho novamente: leia muito sobre o lugar.

Melhor época
Paisagens lindas, mas secas.
O país vive um período de chuvas que vai de dezembro a abril. Depois disso é seca. E seca mesmo! O
período que ferve de turista é de junho a agosto. Por isso, vou indicar o mês que considero ideal: Maio. Por que Maio? Simples. É um período que não chove, não tem muito turista e a paisagem ainda está verde. Fui em agosto e vi paisagens lindas, mas secas. Imagino que verdes elas ficariam mais espetaculares ainda.

Antecipe-se
Comprei meus tickets para Machu Picchu em Maio, sendo que eu só ia em Agosto. Li que era necessário comprar com certa antecedência e não quis arriscar. Acho que pode ter sido um pouco exagerado, mas conheci pessoas que não conseguiram comprar para o dia que queriam e tiveram que esperar. Se você quiser subir Huayna Picchu (a montanha que fica em Machu Picchu), antecipe-se. Só 400 pessoas podem subir por dia e em um horário bem restrito. Muita gente me invejou por eu ter ingresso pra lá... E digo: vale a pena.

Comprei praticamente tudo da viagem por uma agência, que me cobrou muito barato e é de confiança. Muita gente deixa pra comprar as coisas lá (pacotes, acomodação, passagens). Eu convivi com um casal que fazia isso. Eles conseguiam fazer as coisas, mas pagaram bem mais caro do que eu e passavam por alguns apertos, como quase ser esquecido em Puno (e acredite, você não gostaria de ser esquecido em Puno), por exemplo.

Como estava sozinho, não quis arriscar. Um GRANDE problema no Peru e na Bolívia é que eles são atrapalhados em alguns casos e espertos em outros. Você paga um valor por uma excursão e no meio dela cobram mais uma taxa. Algumas vezes eles simplesmente se esquecem de te avisar, em outras eles tentam te passar a perna mesmo.

A agência que fiz as coisas foi atenciosa e ofereceu um bom serviço. Em algumas vezes rolou um “ah, tem essa taxa aqui”, mas tinha mesmo, eles que esqueciam de avisar. Mas infelizmente isso é comum. O Peru tem uma boa estrutura turística (e ainda sim com falhas) somente entre Cusco e Machu Picchu.
Fica aqui o contato da agência: http://www.cusconavelagency.com . E uma dica: ponha TODOS os pingos nos “is”. Pergunte tudo e tenha paciência, pois muitas vezes eles não entendem.


Hotéis e transporte
Fui surpreendido com os hostels no Peru. Achei que ia me deparar com coisas bem precárias pelo preço que me cobraram, mas encontrei habitações limpas e, pra minha surpresa, individuais. Listo dois grandes problemas: o banho e o café da manhã. Na parte do Titicaca banho quente é luxo. Alguns lugares dizem que têm água quente, mas ela demora muito pra “acontecer” e o banho tem tempo. Por exemplo: você tem 10 min pra tomar banho, mas a água quente só começa aos 5min. É bem foda. Só em Cusco não tive esse problema.

O café da manhã que eles oferecem é BEM simples. Em TODOS lugares era pão com manteiga ou geleia. O pão é bem diferente do que estamos acostumados. É menor e achatado. E a altitude exige bem mais que isso, portanto, não encare esse café da manhã como uma refeição – como eu fiz e por isso emagreci bastante.

O transporte público é ruim. Os táxis em Lima são perigosos (falo disso mais tarde). O trânsito em TODAS cidades é tenso e um caos. Eles buzinam PRA TUDO e não existe preferência,  um carro se joga pra cima do outro e ganha o que tiver mais coragem.  Porém, o transporte entre cidades merece um destaque. A companhia Cruz del Sur é fantástica! É um serviço que nunca vi no Brasil, melhor que muito avião! Tem banco de couro, monitor interativo nos bancos, serviço de bordo e, pasmem, tudo isso por mais ou menos 50 reais (viajando entre cidades distantes!). Ah, pra pagar esse preço tem que comprar antecipado. Pode ser pelo site da companhia ou através da sua agência.

Segurança
O Peru tem desigualdades sociais gritantes e isso resulta em algum criminalidade. Mas você mora no Brasil, a situação aqui é BEM pior, pode ter cereza. Lá é mais difícil ter assalto à mão armada e crimes hediondos, principalmente em cidades turísticas como Cusco. Me deram quatro conselhos antes de ir e quando eu estava lá, compartilho eles com vocês:

- CUIDADO com os táxis em Lima. É um aviso que está no aeroporto. Lima tem uma frota de táxi maior que São Paulo. Tem mais táxis do que carro comum na rua. É sério! E a maioria não é regular. Há muitos casos de roubo, sequestro e extorsão em táxis limenhos. Eu mesmo fui vítima disso. O jeito seguro é pedir para lugares confiáveis chamarem as companhias sérias. Pode custar mais caro, mas sua segurança vale mais, pode apostar.

- Cuide da sua bagagem na viagem de ônibus. Em todas rodoviárias há avisos sobre isso. A Cruz del Sur é segura. Eles te revistam antes de entrar e gravam todos os passageiros. Há muitas outras companhias, mais baratas, mais que não garantem nada – ou mentem que garantem. O que acontece é que em determinadas paradas, pessoas roubam as malas. É preciso estar atento.

- Em mercados, coloque sua mochila pra frente. Isso é uma regra pro Peru ou pra Inglaterra. Todos lugares do mundo tem trombadinhas marotos.

- Evite ruas escuras e desertas. Outra regra mundial de segurança.

Bom, vou parar por aqui, pois o post está longo. Acredito que tenham outros esclarecimentos, mas eles vão surgir nos posts dos relatos da viagem – e juro que serão mais curtos!
Espero ter iniciado a viagem de alguém! Ah, e o terceiro passo, depois de definir e pesquisar sobre o lugar, é ter a certeza de que você QUER ir. Eu quis, eu fui. E sou bem feliz por ter conseguido!




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