sábado, 7 de setembro de 2013

Peru - parte 3: As cores de Cusco


Tenho medo desse texto. Medo de me perder nos adjetivos, superlativos e afins, pois não sei como transmitir o quão fantástica é Cusco. Por ser a cidade que mais tempo fiquei, e também a que mais gostei, vou dividir o relato em 2 ou 3 partes (ainda a definir). E juro, vou tentar ser sensato.

Chegada, altitude e recepção
Estava bem ansioso pra desembarcar em Cusco e chegar ao hostel. Eu tinha uma necessidade de me sentir “seguro”, devido aos acontecimentos em Lima.  Mas antes, tinha que enfrentar a temida altitude. A cena do meu desembarque deve ter sido engraçada para quem via. Eu desci devagar, caminhei devagar, olhei pros lados devagar... Enfim, segui todas as recomendações de fazer TUDO devagar.

E nada acontecia. Eu fiquei lá, esperando a tontura, o enjoo, as alucinações, o chamado do Senhor. E nada! Nadinha. Foi aí que senti que a minha sorte estava mudando.

Pegar um táxi em Cusco não é tenso como em Lima, mas eu estava receoso e bem mais cauteloso dessa vez. O cara que me abordou foi simpático, baixou bastante o preço (começou cobrando 25 soles e fiz por 15 –depois descobriria que conseguia por menos pegando um táxi na rua), mas isso não me garantia nada. No caminho me falou um pouco da cidade, me garantiu que ali era bem mais tranquilo. Não demorou pra eu relaxar e ver que de fato ali as coisas eram bem diferentes. Também vi a primeira manifestação da mistura de culturas que faz Cusco ser Cusco, já que ele me contou que falava os dois idiomas oficiais do Peru: o espanhol e o quéchua.

Ao chegar no hostel, mais uma demonstração da hospitalidade cusquenha. Recebi um chá de coca para me adaptar à altitude e recomendações de deitar e descansar um pouco. E claro, uma senha de wifi – em quase todos lugares que fui tinha.

Tudo parecia se encaminhar pra normalidade, até eu receber a notícia que o cartão de crédito tinha sido bloqueado. Quando fui pro Chile e pro Uruguai, usei meu cartão normalmente, por isso nem sabia que deveria avisar o banco que viajaria. A cena engraçada do dia foi eu na rua, ligando a cobrar pro banco, gritando “SIM” para o cara me entender – sendo que eu não entendia nada, mas apostei no SIM como resposta certa.

Depois de resolvido o problema, finalmente pude voltar, descansar e pensar em curtir Cusco.

Praça de Armas e volta do entusiasmo
Era noite em Cusco e a noite em Cusco deve ser curtida na Praça de Armas. Lá é o coração da cidade, onde a maioria das coisas acontecem ou começam a acontecer.  Ao redor da praça, uma Catedral gigante e a poucos metros dela uma Igreja gigante, a Igreja da Companhia de Jesus (construída com o objetivo de superar a Catedral!). Completando o cenário em torno da praça, há restaurantes, bares, agências de viagem, lojas pra turistas e tudo que você necessitar da cidade. No centro da praça há uma imponente estátua de ouro do primeiro inca, o lendário Manco Capac, fundador de Cusco.

Uma das coisas mais legais da Praça de Armas é o ambiente. Pessoas do mundo inteiro transitando por ali, uma sensação de segurança e harmonia que não se encontra em cidade grande. Ali sentei e parei pra ver o movimento e, acreditem, é algo realmente interessante de se fazer. Dá uma inveja dos cusquenhos, que podem  desfrutar de um lugar assim. Não consigo imaginar curtir uma praça à noite em Porto Alegre, por exemplo.

Foi sentado num banco da Praça de Armas que vivi um momento inesquecível.  
É normal vendedores ambulantes te oferecerem produtos artesanais e insistirem MUITO. Te chamam de amigo e começam a falar um preço. Basta dizer “não” pra eles irem baixando. Os ambulantes são os que mais negociam. Sendo brasileiro então, eles oferecem ainda mais (e são mais amistosos nos preços).  E oferecem mais ainda se você compra algo. Eu me encaixei nesse perfil e fui rodeado por vendedores. Eram quatro, sendo que três eram crianças. Meninas. Uma delas parou ao meu lado e começou a conversar. Perguntou coisas sobre o Brasil e me contou como era a vida dela lá. Mesmo depois que eu finalmente comprei o gorro que ela vendia (por 5 sóles), ela continuou ali, me dando dicas (disse onde era o McDonalds se eu quisesse economizar), dicas de segurança e dicas pra quando eu fosse pra Machu Picchu – “Compra água aqui, porque lá é muito caro!”. 

Isso pode parecer algo pequeno, mas foi extremamente importante pra mim. Há um dia eu estava em um quarto de motel em Lima, sendo roubado e sem saber o que ia acontecer comigo. Agora eu estava conversando com uma simpática garotinha, em uma cidade amistosa e cheia de possibilidades. Eu finalmente tinha encontrado o que eu queria. A bandeira de Cusco é um arco íris, e representa bem as cores da cidade.

Estava bem frio, perto de zero graus. O frio lá é seco, o que ajuda um pouco, principalmente se você está acostumado com o frio úmido do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, o frio fazia bater o queixo e eu estava cansado. Era dia de semana, as boates até estavam abertas, mas o movimento era fraco. Resolvi entrar na mais famosa, a Mama África. Lá em Cusco você não paga entrada e ainda ganha um drink – Cusco é ou não é uma cidade incrível?

Depois de curtir um pouco, resolvi não apostar tanto na segurança que a cidade passava. Era meia noite e eu queria voltar a pé.

Após de vagar por várias ruas, eu cansei de brincar de “explorador” e finalmente admiti que estava perdido. 
Foi aí que vi mais uma prova da hospitalidade cusquenha. Perguntei a uma mulher que vendia comida na rua. Ela parou o que estava fazendo, chamou várias pessoas na rua até que um cara soube me explicar o caminho. Eu estava na rua certa, mas ela não tinha o mesmo nome – o que considero um problema em Cusco. Uma rua pode ter vários nomes. E isso é meio ruim quando você está andando pela primeira vez na cidade. Piora se isso é à noite e está frio.

Finalmente cheguei no hostel e finalmente ia dormir na viagem.

Explorando Cusco
Acordei cedo e o sol já estava forte. Protetor solar e labial são essenciais para a viagem. Não se engane com o frio e se prepare para enfrentar um “calorzinho” ao longo do dia.

A primeira coisa a se fazer em Cusco é comprar o Boleto Turístico na prefeitura. Ele custa 120 sóles, se não me engano, mas se você for estudante paga metade. É essencial ter o boleto para entrar nos principais sítios arqueológicos de Cusco e do Vale Sagrado (tema do próximo post) e para alguns museus também. O preço individual desses lugares é bem maior, por isso recomendo a compra do boleto. Já adianto que o melhor museu de Cusco não está incluso, o Museu Inca, assim como a entrada para Qqoricancha, a sede do governo inca, que fica no meio da cidade e que faz parte de todas excursões disponível – dificilmente você chega a um lugar sem ser via excursão.

A segunda coisa a se fazer é caminhar. Como me adaptei fácil à altitude, não tive medo de caminhar até cansar. Comece pelas coisas gratuitas, como a própria Praça de Armas. Dá pra dizer que Cusco é um museu a céu aberto, porque não é difícil se deparar com uma construção histórica, seja inca ou espanhola.
Um dos lugares imperdíveis é o muro inca, que fica atrás da Catedral. Um dos legados mais incríveis dos incas são esses muros, formado por pedras gigantes e sem o auxílio de cimento ou qualquer tipo de “liga”. É preciso ressaltar que eles não conheciam o ferro, o que torna mais impressionante o seu feito.  Em Hatunrumiyoc, a quadra formada pelos muros, encontrei a loja mais barata de Cusco. Lá achei artesanatos por preços bem abaixo dos outros lugares – e procurei bastante!

Aproveitei para ir aos museus do boleto. São legais, nada comparado ao Museu Inca, mas com boas amostras da cultura peruana.

Pra completar a manhã, parei num restaurante para provar um pouco da culinária local. Desta vez resolvi provar a carne de alpaca, algo que me arrependeria depois, pois é o bicho mais simpático que vi no mundo!
A manhã foi proveitosa. Digo com certeza absoluta que é possível dar a volta na cidade em uma manhã (olhando as coisas por cima, claro). Fui em 3 museus com calma, vi o principal da cidade, tirei umas fotos legais.

Isso significa que Cusco é uma cidade pra meio dia? Claro que não. Em um turno dá pra curtir bastante, mas ela é uma cidade cheia de becos, histórias, museus menos conhecidos, pessoas que tem algo a falar, restaurantes, lojinhas curiosas... Fica sempre aquele gosto de “tenho que fazer mais”.

O fim da manhã indicava que eu deveria voltar ao hostel. Às 13h eu ia conhecer os sítios incas da região. Seria meu primeiro contato “formal” com a cultura inca e eu estava ansioso.


No próximo post falarei sobre isso e sobre o Vale Sagrado! 

Murais que contam histórias

Caminho complicado...

Detalhes das igrejas e construções

A Catedral e a Praça de Armas

A igreja que queria ser maior que a Catedral

Os famosos muros incas

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