segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Peru - parte 4: Vale Sagrado



No dia 9 de agosto, eu estava ansioso. Logo cedo eu partiria para a viagem que me levaria ao meu grande objetivo no Peru: Machu Picchu. Antes, porém, tinha que conhecer o Vale Sagrado. Inocentemente achei que veria algo parecido com o que vi nos arredores de Cusco e até cheguei a ver o Vale como um “obstáculo”.  Logo se revelaria uma grande besteira da minha parte.

A primeira parada do grupo foi num mercado na estrada pra Pisac. Nada de muito diferente dos mercados que vi em Lima e Cusco. Do mercado partimos para o sítio de Pisac. No caminho passamos pelo município que é cortado por um rio e nos deparamos com uma vista deslumbrante ao contornar as montanhas.  Finalmente chegamos a um dos mais famosos sítios do Vale Sagrado.

Ao descer em Pisac, conheci os amigos mais legais da viagem. Um grupo de mexicanos que ao me verem sozinho, se ofereceram pra tirar fotos. Fiz questão de revelar minha paixão pelo México (citando todas influências mexicanas na minha vida) e fiz coisas estúpidas que brasileiros fazem quando enxergam um estrangeiro, como falar em futebol,  samba e etc.  

Com meus novos amigos, admirei Pisac. É um vale aberto, que tem como destaque as famosas terraças de agricultura – que aproveita as diferentes temperaturas da terra. Ali também era um dos principais centros de observação astronômica. Os incas eram bons astrônomos e sabiam prever o tempo com uma precisão impressionante – talvez melhor que os caras da previsão do tempo atualmente. Em Pisac há uma fortaleza, que exige um pouco de fôlego de quem quer chegar ao topo. De lá você tem uma visão privilegiada do sítio e pode tirar as melhores fotos.  Porém, além de ficar cansado, você "perde" um bom tempo.  Provavelmente, você vai estar lá em uma excursão, então combine BEM com seu guia essa subida e cuide o tempo. Os mexicanos e eu fomos os únicos que encararam a subida e quase fomos esquecidos pela guia! Mas vou deixar claro: vale a pena subir.

Outra coisa importante: sempre ande com o boleto turístico. Mesmo ele sendo marcado na entrada, um fiscal nos exigiu a apresentação do mesmo - que estava no ônibus.  E o cara não nos largou de mão enquanto não apresentamos o papel. Sorte que já estávamos indo embora mesmo, mas imagina se não?

Pisac é legal, mas a guia nos dizia que o melhor estava por vir. Depois do almoço partimos para Ollantaytambo. Aí a coisa ganha aspecto cinematográfico. Sim, Pisac é incrível, mas faltam adjetivos para falar de Ollantaytambo.

Pra começar, a atmosfera. É de outro mundo, cara. Me perdoem pela viagem, mas não há outra forma de descrever o que quero falar (e juro que tentei): o lugar é místico. É uma energia diferente, algo que toma conta do seu espírito. É como se o vento falasse com você, como se ele soprasse de outra forma. E juro que não estou exagerando! O barulho dos turistas eufóricos é abafado pelo silêncio das montanhas que rodeiam o lugar. E que montanhas, devo dizer!

É o tipo do lugar que eu poderia ficar o dia todo ali olhando, sentindo aquela energia sem cansar! Você se sente minúsculo diante da natureza e da construção dos Incas. Sobre o sítio, Ollanta foi um dos principais lugares do império Inca, tanto que chegou a ser capital quando Cusco foi tomada pelos espanhóis. Porém, nunca foi finalizado e sofreu com a ignorância e truculência dos colonizadores.
De lá eu deveria pegar um trem para Águas Calientes, o povoado que fica no sopé da montanha que leva a Machu Picchu. O trem partia às 16h30 e já era 16h15 quando terminei de ver Ollanta. Solução? Pegar uma moto-táxi.  E cara, foi outra experiência única. Com 1 soles você anda nesse veículo que é um tanto quanto peculiar e divertido de andar.

Chegando na estação, me senti numa Torre de Babel. Gente de todas as nacionalidades! Até agora não sei como troquei de lugar com um japonês, que me pediu educadamente, pois queria sentar com o amigo dele.

Neste momento eu percebi que estava sozinho, completamente sozinho. Sem grupo, sem guia, sem nada. E vi que tinha chegado ali sozinho, sem ajuda direta de ninguém! Sentei no meu lugar, e discretamente me emocionei ao perceber o que estava vivendo.

Dei sorte de pegar o trem de dia, meus olhos não cansavam de ver tantas paisagens bonitas e aquela era singular. Foi o momento que caiu a ficha, e eu finalmente percebi que estava na viagem da minha vida!









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