quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Peru - parte 8 : Copacabana boliviana e Ilha do Sol



Me disseram que a fronteira entre o Peru e a Bolívia era tensa. Não sei se eu tive sorte ou se as coisas mudaram, mas eu não imagino algo mais tranquilo do que passar a linha entre esses dois países.  Aliás, não consigo imaginar nada mais tranquilo e curioso. Pouco antes de chegarmos à Bolívia, entra um índio com um terno “bagaceiro”, cheio de correntes e anéis, dente de ouro e com um cabelo cumprido. Toda vez que ele falava algo, principalmente que envolvia dinheiro, ele segurava o terno e ajeitava, dando um sorriso sacana e uma piscadinha. E eu juro que não estou inventando!  

Esse índio nos explicou os procedimentos da fronteira e eu nunca vi alguém com o inglês mais engraçado. Nem o Joel Santana! "Usted walk to yellow house, not green house” (adicione um sotaque MUITO forte) era a única coisa que ele falava.  Depois de tudo feito ele oferece um hotel em Copacabana por apenas 10 dólares a diária e segue com o sorriso sacana. Depois vi o hotel e até que era bom,  mas agradeci de não depender daquele cara.

Eu tinha uma expectativa quanto ao visual de Copacabana, afinal se chama Copacabana. Fiquei frustrado. Mais uma vez a pobreza dominava o cenário. Dá pra dizer que Copacabana é mais bonita que Puno. Só um pouco mais, pois tem alguns poucos prédios bem acabados e coloridos. Aliás, um fato curioso: me disseram que a falta de acabamento nas construções se explica pela existência de um imposto sobre isso. Não sei se é verdade, mas é muito estranho todas as cidades da região serem assim.

Copacabana é minúscula. Dá pra dar a volta na cidade em uma hora. E seria menos se não fosse o efeito da altitude. Lá tem uma igreja gigante, onde os carros são batizados – sim, os carros. Com sorte você acompanha uma dessas cerimônias.

O resto da cidade é composto por casas de câmbio, agências de turismo, restaurantes legais e lojas. Aí vai minha grande dica. Anote isso: deixe pra comprar coisas na Bolívia. É MUITO mais barato que o Peru. Muito mais mesmo!   Com 20 dólares eu fui num bom restaurante e comprei alguns artesanatos legais e sobrou.

Os bolivianos são simples e alegres. Se você falar que é brasileiro, provavelmente eles vão te adorar e te encher de perguntas sobre futebol. Foi o que aconteceu comigo.  

A única ressalva que faço é: tome cuidado com os pacotes de turismo que você compra. O que comprei pra Ilha do Sol, por exemplo. No meio do percurso eles avisam que tem uma taxa a mais do que a  taxa já existente pra entrar na ilha. Seria uma taxa pra dar a volta na ilha com um guia. Sem isso, seu rolê pelo lugar é bem limitado. Você até pode tentar ir longe, mas é muito difícil, pois enfrenta uma subida cansativa por causa da altitude.

É engraçado você morrendo e as crianças passando correndo com as mochilas dos turistas nas costas, 
como se não fosse nada.  Se duvidar eles ainda dão risada!

A Ilha do Sol é sagrada. Segundo a lenda, foi ali que surgiu o primeiro Inca e de lá ele conduziu o povo a Cusco para montar o império. O lugar é fantástico, não tem como negar. Só achei muito parecido com o que vi antes em Puno. Vale por esse aspecto histórico, por dar uma passada na Bolívia e vale mais ainda se você optar por dormir na Ilha, que tem uma boa estrutura pra isso. Mas com certeza se pudesse refazer a viagem, eu cortaria Puno ou Copacabana por serem muito semelhantes.Copacabana leva vantagem pelos preços das coisas e por ter o lance dos preços mais baixos.

Como disse anteriormente, fiz amizade com um casal de brasileiros. Os dois foram comigo na ilha e na volta resolvemos curtir a cidade. Não tinha muita coisa pra fazer, mas muitas lojas de artesanato pra entrar e vários restaurantes pra escolher. Não vi nada de balada por lá, mas bem mais mochileiros jovens do que vi em Puno. Numa dessas conheci uma suíça que morava na Argentina e estava fazendo um mochilão por Chile e Bolívia. Ela falava espanhol melhor do que eu.

Optamos por um dos tantos restaurantes mexicanos na cidade e às 22h praticamente todos estabelecimentos comerciais da cidade estavam fechados. A falta de opção e o frio intenso não nos deram outra opção a não ser voltar pro hostel e esperar o dia seguinte.

No outro dia começaria uma viagem de 12 horas e iniciaria o momento mais inesquecível da viagem.

Não tem como não achar bonito...

Montanhas ao fundo

Um templo na Ilha do Sol

O pôr do Sol dando um pouco de beleza ao lugar

Aqui os carros são batizados

Copacabana com mais cores que Puno

Chegando à mística Ilha do Sol



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